A História do Vinho Verde
por Jandir Passos

O vinho Verde, pela leveza e frescura que transmite, é bebida apropriada ao verão que se aproxima. A denominação surgiu em 1908 para vinhosproduzidos no Noroeste de Portugal, entre o rio Minho e o rio Douro. É a maior região D.O.C de Portugal e uma das maiores do mundo, com 35 000 hectares. Produz em média, anualmente, 800 mil hl de vinho e espumante. Existem vinhos verdes brancos e tintos. A designação de Verde nada tem a ver com a maturação das uvas, que são sempre colhidas maduras.

Devido ao terroir daquela região demarcada, os vinhos ali produzidos, sejam brancos ou tintos, têm uma concentração de ácido málico superior à que se encontra em outras regiões de Portugal. E após a fermentação alcoólica do mosto, também designada por fermentação tumultuosa por causa da produção de gás carbônico( CO2), tem início uma segunda fermentação, denominada de malolática, que ocorre espontaneamente em virtude da elevação da temperatura com a chegada da primavera e do verão. Um dos produtos desta fermentação é o ácido carbônico, razão pela qual estes vinhos dão uma sensação de "agulha" na boca, o que confere muita frescura. Pela legislação, não se pode acrescentar gás carbônico artificialmente.

Foi no Noroeste, no coração mais povoado de Portugal desde os tempos antigos, que a densa população se espalhou pelas elevadas e retalhadas terras.

A partir do século XII existem já muitas referências à cultura da vinha, cujo incremento partiu da iniciativa das corporações religiosas a par da contribuição decisiva da Coroa Portuguesa. A viticultura teria permanecido incipiente até os séculos XII-XIII, altura em que o vinho entrou definitivamente nos hábitos das populações do Entre-Douro-e-Minho. A própria expansão demográfica e econômica, a intensificação da mercantilização da agricultura e a crescente circulação de moeda, fizeram do vinho uma importante e indispensável fonte de rendimento.

Embora a sua exportação fosse ainda muito limitada, a história revela, no entanto, que foram os vinhos verdes os primeiros vinhos portugueses conhecidos nos mercados europeus (Inglaterra, Flandres e Alemanha), principalmente os da região de Monção e da Ribeira de Lima. No século XIX, as reformas institucionais, abrindo caminho a uma maior liberdade comercial, a par da revolução dos transportes e comunicações, alteraram, definitivamente, o quadro da viticultura regional.

A orientação para a qualidade e a regulamentação da produção e comércio do vinho verde surgiriam no início do século XX, tendo a Carta de Lei de 18 de setembro de 1908 e o Decreto de primeiro de outubro do mesmo ano, demarcado pela primeira vez a Região dos Vinhos Verdes.

Selos de Garantia

• Fase 1 - até 19XX
• Fase 2 - até 19XX
• Fase 3 - desde Abril de 1997

FASE 1 - Vinhos Verdes e Aguardentes

1. Selo cavaleiro para Vinho Verde.
2. Selo cavaleiro para aguardentes vínicas e bagaceiras envelhecidas, inferior a 0,15.
3. Selo cavaleiro para aguardentes bagaceiras, inferior a 0,15 l.
4. Selo cavaleiro para aguardentes vínicas e bagaceiras envelhecidas, superior a 0,15.
5. Selo cavaleiro para aguardentes bagaceiras, superior a 0,15 l.

FASE 2 - Vinhos Verdes


Selo cavaleiro para Vinho Verde, inferior a 3 dl

Selo cavaleiro para Vinho Verde, 3 dl. a 6 dl.

Selo cavaleiro para Vinho Verde, 6 dl. a 1 l

Selo cavaleiro para Vinho Verde, 1 l. a 5,3 l.

Selos de rótulo para Vinho Verde, inferior a 3 dl., 3 dl. a 6 dl., 6 dl. a 1 l., 1 l. a 3 l.

FASE 2 e 3 - Aguardentes


Selo cavaleiro para Aguardente Vínica de Vinho Verde, inferior a 0,15 l.

Selo cavaleiro para Aguardente Vínica de Vinho Verde, superior a 0,15 l.

Selo de rótulo para Aguardente Vínica de Vinho Verde.

Selo cavaleiro para Aguardente Bagaceira de Vinho Verde, inferior a 0,15 l.

Selo cavaleiro para Aguardente Bagaceira de Vinho Verde, superior a 0,15 l.

Selo de rótulo para Aguardente Bagaceira de Vinho Verde.

Selo cavaleiro para Aguardente Vínica de Vinho Verde, miniaturas inferiores a 0,15 l.

Selo cavaleiro para Aguardente Bagaceira de Vinho Verde, miniaturas inferiores a 0,15 l.

FASE 3 - Vinhos Verdes


Selo cavaleiro para Vinho Verde, 1 l. a 5,3 l.

Selos de rótulo para Vinho Verde, inferior a 3 dl., e 3 dl. a 6 dl.

Selos de rótulo para Vinho Verde, 6 dl. a 1 l., e 1 l. a 3 l.

Regiões

Questões de ordem cultural, tipos de vinho, encepamentos e modos de condução das vinhas obrigariam à divisão da Região Demarcada em seis sub-regiões: Monção, Lima, Basto, Braga, Amarante e Penafiel.

No entanto, o texto da Carta de Lei de 1908 apenas é regulamentado no ano de 1926 pelo Decreto n.º 12.866, o qual veio estabelecer o regulamento da produção e comércio do vinho Verde, consagrando o estatuto próprio da região demarcada, definindo os seus limites geográficos, caracterizando os seus vinhos, e criando a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes-CVRVV, instituída para pôr o regulamento em execução. Posteriormente, em 1929, o referido regulamento viria a ser objeto de reajustes pelo Decreto n.º 16.684.

Motivo de grande significado à escala mundial, foi a aceitação do relatório de reivindicação da Denominação de Origem Vinho Verde, apresentado ao OIV (Office International de la Vigne et du Vin), em Paris (1949), e posteriormente, o reconhecimento do registo internacional desta Denominação de Origem pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual), em Genebra, na Suíça em 1973.

O reconhecimento da Denominação de Origem veio assim conferir, à luz do direito internacional, a exclusividade do uso da designação Vinho Verde a um vinho com características únicas, devidas essencialmente ao terroir da região, tendo em conta os fatores naturais e humanos que estão na sua origem.

Em 1959, o Decreto n.º 42.590, de 16 de Outubro, cria o selo de garantia como medida de salvaguarda da origem e qualidade do «Vinho Verde», e o Decreto n.º 43.067, de 12 de Julho de 1960, publica o respectivo regulamento. Outro marco de extraordinária importância, foi o reconhecimento de um estatuto próprio para as aguardentes vínicas e bagaceiras produzidas nesta Região Demarcada (Decreto-Lei 39/84 de 2 de Fevereiro), o que viria contribuir para a diversificação de produtos vínicos de qualidade produzidos nesta Região. Como conseqüência da entrada de Portugal na Comunidade Européia, é promulgada, em 1985, a Lei-Quadro das Regiões Demarcadas, que determinaria a reformulação da estrutura orgânica da CVRVV.

Finalmente, em 1992, é aprovado o novo estatuto pelo Decreto-Lei nº 10/92, de 3 de Fevereiro. Recentemente, foi efetuada uma atualização pelo Decreto-Lei nº 263/99, de 14 de Julho de 1999, quanto a diversas disposições relativas à produção e ao comércio da denominação de origem Vinho Verde.

Certificado como Denominação de origem pela CVRVV, apresenta-se com selo de garantia cujo ano reflete a data de requisição do mesmo e a data do engarrafamento. O vinho será da colheita imediatamente anterior. Acabada a fermentação malolática, e assentadas as respectivas borras, os vinhos estão prontos para beber e engarrafar, caso se queira preservar a sua qualidade e a sua agulha.

Solos e Vinhedos

Predominam solos pedregosos úmidos provenientes de rochas eruptivas (granitos) ou metamórficas (xistos e gneisses). A vinha é plantada de maneira contínua ou em bordadura, em forma média ou alta conduzida em cordão com diversas unidades de frutificação, sendo a poda longa e assentando em vara e talão.

Castas

Sub-região Brancas Tintas
Monção

Alvarinho
Loureiro
Trajadura
Borraçal
Brancelho
Pedral
Vinhão
Lima Loureiro
Pedernã
Trajadura
Borraçal
Espadeiro
Vinhão
Braga Loureiro
Pedernã
Trajadura
Borraçal
Espadeiro
Vinhão
Basto Azal-Branco
Batoca
Pedernã
Borraçal
Espadeiro
Padeiro-Basto
Rabo-de-Ovelha
Vinhão
Penafiel Azal-Branco
Loureiro
Pedernã
Trajadura
Borraçal
Espadeiro
Vinhão
Amarante Azal-Branco
Pedernã

Borraçal
Espadeiro
Vinhão

Vinhos

Tipos de Vinho Título Alcoométrico Mínimo
Branco 8,5% vol.
Tinto 8,5% vol.
Alvarinho 11,5% vol.

Estágio Mínimo Obrigatório no carvalho
Branco: sem estágio obrigatório
Tinto: sem estágio obrigatório

Características Organolépticas

Vinhos Verdes Brancos: de cor esverdeada, ligeiramente dourada, com aromas frutados e delicados. O frutado é de frutos frescos tipo maçã e frutos cítricos. Em alguns casos distinguem-se certas notas florais. Quanto ao sabor são ligeiros muito frescos e normalmente secos. Uma das características indissociáveis do vinho verde é a "agulha".

Vinhos Verdes Tintos: de cor vermelha a rubi carregado e vivo, com uma espuma vermelha, evanescente a fugaz, tem aroma ligeiramente vinoso, pouco intenso e com caráter vegetal pronunciado, onde, por vezes, se insinuam frutos silvestres. Vinhos encorpados, pouco alcoólicos, acídulos, ligeiramente adstringentes e com a característica "agulha".

Harmonização

O vinho verde não é um vinho para degustar, bebericar ou contemplar. Trata-se de um vinho que abre o apetite.

Brancos: os brancos da casta "alvarinho" ligam bem com ostras, mariscos de sabor forte, peixes gordos, salmão grelhado ou cozido. Temperatura aconselhável para bebê-los : 10ºC

Tintos: Se dão bem com cozido à portuguesa, cabrito, leitão assado.
Temperatura aconselhável para bebê-los : 14ºC.

No Brasil o vinho verde mais famoso é Casal Garcia, da Quinta da Aveleda. Temos ainda o Gatão de Borges, este último de bastante sofrível em sua qualidade. São marcas mundiais que vendem milhões de garrafas. Os melhores produtores preocupam-se com vinhos verdes de alta qualidade para além de suas marcas de produção em massa. Companhias como Sogrape, Quinta da Aveleda e Solouro engarrafam a variedade cara, o Alvarinho. Críticos recomendam Palácio da Brejoeira, Muros do Melgaço e Muros Antigos.

Meu Vinho Verde

Celso Nogueira

Não ligo quando especialistas dizem que aos vinhos Verdes falta corpo e complexidade. Nada tenho contra o espírito e a simplicidade. Muitos apreciadores dos vinhos Verdes, como eu, valorizam o produto de Monções, onde se destaca a uva Alvarinho. O Deu Lá Deu da Cooperativa de Monções está entre meus preferidos. O nome se refere ao episódio folclórico ou histórico da mulher que durante prolongado cerco à cidade atirou das muralhas um cesto de pães aos sitiantes espanhóis que, assustados com tanta abundância, concluíram que os sitiados resistiriam ainda muito e desistiram do ataque. Outro destaque: Muralhas de Monções, da mesma Cooperativa, encontrado facilmente no Brasil. Vai bem com bacalhau, pela acidez pronunciada. Já o vinho Verde tinto é um gosto adquirido que eu não adquiri.

Fonte: Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes
Vinhos, de André Domine, Editora Konemann  

 

 

     
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