Vinho Polêmico - impressões de um apreciador despreparado.
Por Celso Nogueira

O produtor Marco Danielle, um publicitário inconformado com os vinhos disponíveis no mercado, vem criando seguidores fanáticos e inimigos avinagrados desde que iniciou a fabricação de vinhos de butique ou garagem, na região da Serra Gaúcha. Ou seja, quase caseiros, livres das práticas e correções costumeiras na indústria.

Seus vinhos Minimus Anima e Tormentas despertam paixões, o que por si só já os coloca no nicho dos goles interessantes, fora da prateleira das unanimidades óbvias ou suspeitas de contaminação marqueteira. Danielle adquire as uvas e aplica na feitura dos vinhos o critério do menos é mais. Ou seja, quanto menos interferência no processo natural, melhor.

O vinho

Minimus Anima 2005
70% Cabernet-Sauvignon colheita tardia parcialmente passerizado
30% Alicante Bouschet
Produtor: Marco Danielle

Degustado por Celso Nogueira no dia 7 de novembro de 2007, às 21 horas, após passar a tarde na posição vertical (o vinho) e uma hora no decantador. O jantar consistiu em bife ancho en croûte e arroz.

Já na passagem da garrafa ao decantador percebi o aroma intenso de frutas vermelhas, com destaque para cereja, que lembrou vinhos antigos caseiros, portugueses ou feitos no Brasil de castas viníferas, para consumo familiar. Notei a mudança na transparência no final da garrafa e interrompi a passagem ao decantador quando faltavam ainda uns 100 ml de vinho, que permaneceu na garrafa, opaco e aromático.

Visualmente o vinho é escuro, rubro intenso com toques alaranjados, quase fosco, quase viscoso. Ligeiramente turvo após uma hora e tanto de decantação, mas eu não agüentava mais de curiosidade.

Aroma mais intenso de frutas vermelhas, sutil de especiarias e compotas. Algum tabaco, ou talvez tenha sido o charuto de anteontem que se meteu onde não era chamado.

Na boca, acidez moderada, taninos discretos, doce de laranja azeda, bastante persistência. Untuoso, não entrega o teor alcoólico alto. Obviamente impossível o fundinho de uva bordô que notei na primeira taça, tomada sem acompanhamento.

Em companhia do bife ancho ao ponto com arroz branco, numa noite aprazível, revelou-se adequado e algo enigmático. Pede novas experiências, o que conta a seu favor. Parece-me o tipo de vinho meio camaleônico, capaz de assustar, inebriar, satisfazer, intrigar ou revoltar, dependendo da hora, do lugar e da companhia gastronômica ou humana. Talvez seja isso que os especialistas chamam de vinho complexo. Deixa uma impressão de que algo se perdeu no processo descritivo.

Bom, já foi dito que escrever sobre música é como dançar sobre arquitetura. Talvez buscar uma linguagem descritiva para os vinhos seja útil enquanto prática social, do compartilhar. Mas apresenta dificuldades expressivas inegáveis. Nem a subjetividade do passado nem a procura de um léxico técnico e objetivo do presente dão conta completamente do recado. Menos ainda no caso deste diletante interessado.

Celso Nogueira   Celso Nogueira - tradutor, editor e redator especializado em alimentos e bebidas, trabalha com marketing de relacionamento em uma multinacional e faz traduções literárias e gastronômicas, além de realizar palestras e conduzir degustações sobre gastronomia, cachaça e charutos. Foi um dos fundadores e atuou como diretor da confraria Cigar Club.

 

 
  Newsletter
Cadastre-se e receba nossas
novidades em seu email.
Nome:
Email:


 
     
  Charutos Personalizados
Comemore o nascimento de seu filho, casamento ou uma conquista de sua empresa com charutos personalizados.



 
     
   Telefones:  (11) 5096-2494 / 5041-1596
  © Copyright Charutos e Bebidas. Todos os direitos reservados.
  Qualquer reprodução deste material deverá ser feita com autorização.