Degustando Mitos – Vega Sicília
por José Paulo Schifini

Saiba por que Vega Sicília é considerado o melhor vinho da Espanha – e um dos tops do mundo.

AzeitonasMais uma vez a importadora Mistral surpreendeu ao trazer para o Brasil uma degustação de grandes vinhos: o Grupo Veja Sicília. Além da degustação histórica de 52 safras, realizada por um colecionador, a degustação para profisionais conduzida, com esmero pela equipe do Mr. Lam, que tive a oportunidade de participar, foi para mim a melhor que já participei, duas safras significativas para cada um dos seus seis principais rótulos, mas a Mistral trouxe não apenas os vinhos, trouxe a cúpula da empresa:  Pablo Alvarez Mezquiriz, consejero delegado; o Diretor Geral Xavier Ausás Lopez de Castro, o Director técnico Enrique Macias Gómez e o Jefe de Viña András Bacsó, Enólogo.

AzeitonasMuitos esquecem que o vinhedo mais vasto do mundo é o espanhol. Muitos esquecem que 1863 foi o ano da aparição da filoxera no continente europeu, com a identificação do insecto em Pujaut, na região de Gard, (França) e numa estufa (onde a espécie foi isolada) em Hammersmith, nos arredores de Londres. Muitos esquecem que só em 1877 foi a primeira aparição em Espanha, na zona de Málaga (Andaluzia) e Gerona (Catalunha), e nesse intervalo de 14 anos muitos produtores de Bordeaux tentaram reconstruir suas propriedades na Espanha.

Mas, já em 1848, a história de Vega-Sicilia começou, quando o fazendeiro basco Don Toribio Lecanda, homem de visão e "antenado", para sua época, encontrou o Marques de Valbuena, que estava falido, e comprou uma gleba de 2.000 hectares.

Mais tarde, seu filho trouxe 18.000 videiras jovens, de Cabernet-Sauvignon, de Carmènere, de Malbec, de Merlot y de Pinot Noir da França para começar o vinhedo, situado na parte ocidental da atual DO Ribera del Duero.

Os primeiros vinhos foram vendidos em tonéis como sendo vinho de Rioja; pois até a chegada da família Herrero em 1915, que deu à bodega o nome atual, não se elaboravam vinhos tintos de qualidade predecessores dos atuais; porém, em 1929, o vinho da safra de 1917 e 1918 ganhou muitos prêmios na Ibero-American Exposition of 1929, que foi uma feira mundial realizada em Sevilha.

AzeitonasConstantes progressos foram feitos, pouco a pouco, pela família para melhorar o vinhedo e,
foi preciso esperar 1970 para que o Veja Sicilia começasse sua ascensão e fosse
reconhecido como o melhor vinho da Espanha, quando seduziu os enófilos do mundo inteiro e afirmou sem complexos sua pretensão de rivalizar com os melhores vinhos do mundo.

Esta aventura começa na margem esquerda do rio Duero, onde os solos possuem grande diversidade geológica, "tantôt gravelleux, tantôt argilo-calcaires, ou encores composes d´argiles colorées de rouge". Os hectares iniciais foram completados por outros constituídos de terras de aluvião, mais ricas.

O “encépagement” (diversidade das castas plantadas), prioriza a casta local: Tinta del pais, Tempranillo ou Tinto fino, cerca de 65%; Cabernet-Sauvignon (que substituiu a grenache nativa), Merlot, Malbec, e um suspiro da casta branca Albillo. A colheita toda ela é manual, em pequenas caixas, que são levadas à bodega, onde são desgranadas, selecionadas e transportadas por esteiras para as cubas de fermentação.

AzeitonasA bodega produz dois grandes vinhos o Valbuena 5 °Año Reserva e o Único Gran Reserva, este apenas nos anos de safra excepcional. As uvas das melhores parcelas destinam se à elaboração do Único, e são maceradas em cubas de madeira, o Valbuena utiliza deposito de aço inoxidável. O Valbuena não é apenas o segundo vinho da bodega, e sim um grande vinho.

A vinificação é clássica: l´ éraflage, leveduras nativas, fermentação alcoólica a menos de 30°C durante 10 a 15 dias, depois o vinho é alojado em grandes tonéis para permitir a fermentação malolática.  Nesse momento começa a "L'élevage du vin " ou seja:
o conjunto de cuidados a aplicar ao vinho para trazê-lo à sua melhor qualidade ".

AzeitonasO grandes interesses no Vega Sicília, além dos cuidados minuciosos no vinhedo, são concentrados nos procedimentos de "crianza" excepcionalmente bem elaborada e de forma muito singular, que garantem o chamado estilo "Barroco" de seus vinhos.

Nos anos de safra excepcional o vinho se deixa repousar durante meio ano em barricas velhas, em seguida os vinhos destas barricas são degustados para decidir sua futura destinação:

O Valbuena que vai para o mercado após cinco anos de crianza, se cria ente 11 e 14 meses em barricas de roble francês não de primeiro uso e um estágio subseqüente de afinamento em garrafa de no mínimo 18 meses.

AzeitonasO Único, mais tardio continua seu complexo processo de elaboração
que deve ser conduzido à perfeição através de um extremo planejamento. Em primeiro lugar, o vinho permanece até dois anos, (24 meses) em barricas novas de roble francês e, completa seu amadurecimento em recipientes cada vez mais antigos, de preferência de roble americano, durante cinco ou mais anos, antes de ser engarrafado sem ser filtrado, por que se espera um período de afinamento de no mínimo de três anos (36 meses).

Ao cabo de 11 anos, o proprietário da família Alvarez o lança no mercado para colecionadores e enófilos e gourmets apaixonados. Depois de algum tempo aparece no mercado o Único Reserva Especial, após este amadurecimento / afinamento suplementar na bodega.

Pode-se afirmar que os métodos usados na Veja Sicília são totalmente originais e até mesmo um pouco arcaicos... No passado o vinho repousava 5 (cinco) anos em grandes "futs" de carvalho, seguido de 10 (dez) anos em barricas e o afinamento se perseguia em garrafas...  Ainda mais 10 (dez) anos, e às vezes até mais quando se tratar de garrafas magnuns ou de safras muito especiais!

Porém é tranqüilizador para o mundo do vinho saber que a Vega Sicilia gerencia a introdução de inovações de forma muito sensível, comprando novas terras e produzindo novos vinhos como o Alión (1992) e o Pintia e recuperando mitos antigos como o Oremus.

O endereço do site é: http://www.vega-sicilia.com/v2/home.asp

Para os que procuram a eternidade foi regozijante saber que a Bodega veja Sicilia, planta seus sobreiros e carvalhos e assim garante estes insumos para seus próximos cem anos de vida.  Quem teve a oportunidade de degustar qualquer um desses vinhos sabe por experiência sensorial própria o que quer dizer influencia do terroir, da safra, das castas, visto que a equipe técnica é a mesma, conseguindo extrair nos seus vinhos a perfeição da cor, extrair a fruta fresca e não aquela macerada em licor ou cozida em geléia, extrair um bouquet evoluído, profundo, épicé e boisé, sendo sustentado ao fundo com aromas empireumáticos, de tabaco, e de café, etc. e finalmente extrair a textura elegante que refresca e alaga o palato, que persiste complexa e longamente na boca. Um mistério, um milagre, um Mito !


Celso Nogueira  

José Paulo Schiffini - natural de São Paulo, Engenheiro Eletricista pela EPUSP, formação complementar em Economia (FGV-RJ), Administração, Marketing, Informática, Educação, Recursos Humanos e Ciência e Tecnologia. Transformou sua paixão pelo vinho, em instrumento de divulgação cultural e capacitação profissional. Participa em vários fóruns enogastronômicos na Internet e colabora para assuntos de vinho no jornal O Pescador de Búzios. Idealizou o curso de pós-graduação latu senso de Gestão em Vinho & Cultura, dentro de um convênio recém assinado pela Universidade Candido Mendes e a Universidade de Borgonha.

 

 
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