Sangria é Crime?
Por Celso Nogueira

Abominável desperdício de vinho ou uma maneira criativa de saborear a bebida em época de calor? Em clima de flaflu as opiniões sobre a sangria marcam campos radicalmente opostos. Bem, quer for contra que não beba...

Embora o acréscimo de frutas diversas ao vinho seja um hábito tão antigo quanto o próprio, foi a tradição vinífera espanhola (datada de 4.000 a.C. aproximadamente) que nos legou a sangria como a conhecemos hoje: vinho tinto ou branco, água gaseificada (ou soda limonada), frutas diversas em pedaços (maçã, laranja, limão, pêssego fresco ou em calda, abacaxi, uva, cereja etc) e muito, mas muito gelo. As frutas mudam conforme a região da Espanha ou o país em que é preparada. Só não vale apelar para as sangrias prontas, coolers e outras imitações ordinárias.



A sangria pertence à categoria dos punchs, das bebidas alcoólicas quentes ou frias, misturadas a frutas e outros ingredientes, em geral acrescidas de açúcar e sucos cítricos. Muito popular no México, existe lá também em versão sem álcool, uma espécie de refrigerante sabor sangria, como a Sangría Señorial. Para os turistas que visitam a Espanha, a Sangría é um dos quatro S que fizeram a fama do país como paraíso dos veranistas: Sun, Sand, Sea and Sangría.

Uma garrafa de vinho (750 ml) rende aproximadamente um litro e meio de sangria. A redução do teor alcoólico pela metade, o açúcar das frutas e o gelo tornam a bebida bem mais refrescante do que um vinho gelado. Para os apreciadores, a sangria só não presta se for feita de vinho vagabundo, desses elaborados com uvas inadequadas, de origem norte-americana, como Isabel, Concord e Bordô.

Quando se usa vinho fino, nome dado em nosso país aos produtos elaborados com castas européias (vitis vinifera), a bebida tem seus fãs. Afastou-se do abominável legado dos ponches de aniversário, em que boiavam frutas escurecidas numa piscina lotada de perdigotos, guaraná, groselha e pouco vinho, quando havia. Na falta de um bom São Roque, servia cachaça industrial. Em redor da poncheira, no meio da mesa, ficavam as xícaras. Felizmente sumiram, ao contrário dos Bee Gees, que nos anos 1960 faziam a trilha sonora desses eventos.

Graças à incontestável melhoria nos vinhos, que na média tiveram seu preço reduzido e a qualidade aumentada nas últimas décadas, podemos usar um vinho de custo acessível mas bom o suficiente não levar a um resultado prazeroso. Quem gosta de sangria sabe que a bebida não tem fama de requintada, mas que refresca, isso refresca, admitem até seus detratores, que preferem um bom champagne quando querem se refrescar.

O crítico de vinhos Marcelo Copello, da Gazeta Mercantil, orienta a escolha do vinho em sua coluna Mar de Vinhos, no endereço www.mardevinho.com.br/old/colunas/2002_02_08.htm :

Recomendo vinhos jovens e de boa acidez, como boa parte dos vinhos brasileiros, os italianos 'vino da tavola', Valpolicella, Bardolino, Lambrusco, Dolceto, Barbera, Chiantis comuns, os franceses 'vin de table' ou 'vin de pays', Beaujolais e quaisquer outros exemplares da uva Gamay, Pinot Noir, Vinho Verde, e, tradicionalmente, os vinhos espanhóis 'de mesa'.
Evite os vinhos tânicos ou com paladar marcante de carvalho, pois estes tendem ao amargor. Não se limite aos tintos, brancos e espumantes para conseguir ótimos resultados. Descarte os Chardonnays barricados e dê preferência a vinhos mais ácidos como os Sauvignon Blanc, Riesling, Trebbiano, Pinot Grigio, Tocai Friuliano, Frascatti. Os espumantes levam vantagem por sua grande acidez.



Sangria


Tradicional receita espanhola

A tradicional receita espanhola de sangria, como costuma acontecer em casos de preparações típicas, tem muitas variações. Apresentamos a seguir uma das mais conservadoras e consagradas.


Ingredientes
1 garrafa de vinho tinto (750 ml)
Suco de 2 laranjas (separar antes uma rodela grossa de uma laranja)
3 pêssegos picados
2 colheres (sopa) de açúcar
suco de 1 limão
1 pitada de canela em pó
1 garrafa (300 ml) de Club Soda ou água com gás

Preparo
Para seguir a tradição, escolher um vinho espanhol popular. Os de Jumila, Alicante e Valência são indicados. Despejar o vinho em uma jarra de louça ou vidro. Adicionar o açúcar e mexer bem.

Acrescentar o suco de laranja, a rodela de laranja, os pêssegos picados, o suco de limão, a canela e Club Soda. Levar à geladeira por duas horas no mínimo, e servir com cubos de gelo. Se desejar uma bebida mais forte, adicione uma dose de rum ou cognac. Se preferir uma leve agulha, deixe para incluir a garrafa de Club Soda só na hora de servir.

 

Sangria de vinho branco

A adaptação abaixo é indicada para o clima tropical brasileiro.

Ingredientes
1 garrafa de vinho branco (750 ml), de preferência sauvignon blanc
6 metades de pêssego em calda em pedaços
100 ml da calda do pêssego
suco de 1 laranja
duas rodelas de laranja
1 maçã em pedaços
1 pitada de canela em pó
1 garrafa (300 ml) de Sprite ou Soda Limonada

Preparo
Despejar o vinho numa jarra grande, acrescentar o pêssego, a calda de pêssego, o suco de laranja, a maçã cortada e a canela em pó. Adicionar a Soda ou Sprite e levar à geladeira por duas horas. Servir com bastante gelo.



Celso Nogueira   Celso Nogueira - tradutor, editor e redator especializado em alimentos e bebidas, trabalha com marketing de relacionamento em uma multinacional e faz traduções literárias e gastronômicas, além de realizar palestras e conduzir degustações sobre gastronomia, cachaça e charutos. Foi um dos fundadores e atuou como diretor da confraria Cigar Club.

 

 
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