Grogue e Quentão
Por Celso Nogueira

Grogues são bebidas quentes à base de destilados, especiarias e frutas ou seu suco. No Brasil, os grogues tradicionais são o quentão e o vinho quente, pedida certa nas festas de inverno.

Esfria, e as noites claras combinam com bebidas quentes. Junho é o mês das alegres e coloridas Festas Juninas. Praticamente em todo o Brasil são construídos arraiais e organizadas quermesses e quadrilhas. As Festas Juninas têm por objetivo homenagear três santos: Santo Antônio, no dia 13, São João, no dia 24, e São Pedro, no dia 29. O primeiro é padroeiro das moças solteiras; o último, dos pescadores.

Essas folias consagraram o quentão, que no Sul é feito com vinho e no resto do país com cachaça. Onde o quentão é de pinga temos a opção do vinho quente, paralela. Variações regionais dão um sabor todo especial ao nosso grogue, que deve ser servido em canecas grossas de vidro ou cerâmica, pois elas conservam a temperatura e evitam queimaduras na mão.



A origem dos grogues é nebulosa, algumas fontes citam uma bebida inventada pelos ingleses, que em 1655 decidiram adicionar limão e açúcar ao rum fornecido aos marinheiros (um costume que só foi abandonado nos anos 1970). Seria especialmente eficaz contra o escorbuto.

Segundo a Pequena Enciclopédia das Drogas e Bebidas, de Henrique Carneiro, (ed. Campus), o grogue foi inventando pelo almirante inglês Edward Vernon (morto em 1757). Ele era conhecido como Old Grog, porque usava uma capa de tecido encorpado com fios de seda, chamada em inglês de "grogram". Old Grog serviu a seus marinheiros rum quente diluído  em água, com açúcar, limão e especiarias. Mas existem receitas de grogues com outros destilados, como brandy e whisky. Se levar leite e ovos passa a se chamar Eggnog, tradicional bebida natalina européia com rum ou vinho fortificado do Porto.

No Brasil, a tradição das festas juninas se divide nos grandes encontros no Nordeste, regados a rum e forró, e as quermesses do Sul/Sudeste, com barraquinhas de comes e bebes típicos e dança de quadrilha. Por exemplo, no litoral temos a festa de São Pedro Pescador, que em Ubatuba serve tainha na brasa. Na serra não pode faltar pinhão. Em todas, por ser época da safra, pratos doces e salgados com milho estão sempre presentes.

No Nordeste impera o consumo de rum, e não de cachaça, nas festas tradicionais de Caruaru e Campina Grande. O Nordeste representa hoje cerca de 50% das vendas totais da Pernod Ricard Brasil no país, tendo como carro-chefe o Ron Montilla, com uma participação de 90,5% do consumo nesta região. Com as versões Carta Branca, Ouro, Cristal e Limão, além de Montilla Cola, lançamento mais recente da marca, Ron Montilla é marca líder dentro da categoria de rum no Brasil, com volumes que superam 28,8 milhões de litros anualmente e com 73,7% de participação no mercado nacional. O mercado de rum no Brasil movimenta R$ 336 milhões, anualmente.



Imagem 1O quentão


Cachaça, açúcar e gengibre são a alma do quentão. Segundo o chef Mané Young, “apesar de originário da Ásia, o gengibre chegou aqui pela mão dos africanos, e assim sua presença, fundamental, no preparo do quentão, remonta aos primórdios da cultura brasileira e ao nosso primeiro ciclo econômico, da cana-de-açúcar. Se a cachaça surge no primeiro momento, como um subproduto dos engenhos, há que se entender que o quentão (forma brasileira do grog europeu) surgiu naturalmente, visto que sua forma, ou fórmula essencial se compõe de cachaça, açúcar e gengibre. Assim, o gengibre, se faz presente, na mais famosa bebida das nossas festas e demonstra também a sua importância cultural, como história e tradição.”

O quentão deu no vinho quente, nascido nas colônias italianas e alemãs do Sul, sendo mais recente, dos meados do século XX. Os imigrantes trouxeram receitas na bagagem, que foram adaptadas ao gosto e aos ingredientes locais. Festa Junina sem quentão ou vinho quente não tem graça. Veja as receitas a seguir.

Vinho Quente

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Ingredientes
una garrafa de vinho tinto
1 colher (sopa) de açúcar
frutas picadas: maçã, morango, pêra, uva, abacaxi
casca de meia laranja em pedaços
cravo e canela a gosto

Preparo

Ferver todos os ingredientes por quinze minutos e manter em fogo baixo

Quentão

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Ingredientes
uma garrafa de cachaça (600 ou 700 ml)
1 colher (sopa) de açúcar
1 dose de mel
gengibre ralado a gosto
cravo e canela a gosto
casca de limão a gosto

Preparo
Ferver todos os ingredientes por 30 minutos e
manter em fogo baixo.



Grogue

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Ingredientes
2 xícaras de rum prata
2 xícaras de rum ouro
1 laranja espetada com cravos-da-índia
2 pedaços de canela em pau
2 limões cortados em rodelas

Preparo

Coloque numa panela grande os dois tipos de rum, a laranja, a canela em pau, as rodelas de limão e mexa bem. Em seguida, leve ao fogo brando por cerca de 20 minutos. Depois, retire e despeje em uma poncheira. Complete com 2 litros de água fervente e sirva quente.

Eggnog

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Esta bebida pode ser servida quente ou em temperatura ambiente.

Ingredientes

- 3 unidade(s) de gema de ovo
- 1/2 xícara(s) (chá) de açúcar
- 2 xícara(s) (chá) de leite morno
- 1/4 colher(es) (café) de sal
- 1/2 xícara(s) (chá) de creme de leite sem soro
- 2 colher(es) (sopa) de rum
- quanto baste de noz-moscada para polvilhar

Preparo

Em um recipiente que possa ser levado a banho-maria, misture as gemas peneiradas com o açúcar. Acrescente uma pitada de sal e o leite morno.
Leve a mistura ao banho-maria, mexendo sempre, até que engrosse levemente. Retire do fogo, acrescente o rum e leve à geladeira para que esfrie por completo.
Adicione o creme de leite sem soro, misturando delicadamente, até que fique homogêneo.

Pode ser servido assim, mas se preferir quente, volte a mistura ao banho-maria rapidamente. Sirva em taças e polvilhe com noz-moscada.



Celso Nogueira   Celso Nogueira - tradutor, editor e redator especializado em alimentos e bebidas, trabalha com marketing de relacionamento em uma multinacional e faz traduções literárias e gastronômicas, além de realizar palestras e conduzir degustações sobre gastronomia, cachaça e charutos. Foi um dos fundadores e atuou como diretor da confraria Cigar Club.

 

 
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