Quem fumou o primeiro charuto?
Tradução: Silvana Siqueira

Quem fumou o primeiro charuto? É claro que nunca saberemos com certeza, mas descobertas arqueológicas sugerem que aconteceu em tempos bem remotos.

 

Um vaso de cerâmica desenterrado em Uaxactun, Guatemala, datado do início do século X, com o desenho de um homem que fumava charuto sugere que índios mesoamericanos usavam tabaco pelo menos 500 anos antes da chegada de Colombo.

Pode-se dizer com plena convicção que foi este mesmo Colombo quem introduziu o fumo na Europa Ocidental. Em 28 de outubro de 1492, Rodrigo Xerez e Luiz Torrez, dois navegadores servindo ao explorador espanhol viajavam por terra ao país que seria conhecido como Cuba. Lá eles testemunharam um ritual no qual os nativos inalavam a fumaça de folhas queimadas dentro de um tubo feito de outras folhas (tais como palmeira e bananeira).


As folhas eram chamadas de cohiba, e o tubo eles chamavam de tabaco. Sem respeitar a preferência dos nativos, o que mais tarde se provaria típico no modo europeu de lidar com os moradores do Novo Mundo, os europeus passaram a se referir a essas interessantes folhas fumáveis pelo nome que até então era dado ao tubo que as segurava. Nossa cultural multibilionária indústria de tabaco tem, na verdade, nome errado.


Os navegadores de Colombo vieram a fazer parte deste ritual, e através deles – ao longo de várias outras missões de exploração e conquistas que resultaram no controle espanhol sobre Cuba em 1511 – o costume propagou-se pela Espanha e Portugal, e de lá para o resto da Europa. (Imagina-se que a nicotina do nosso mundo tenha vindo através de Jean Nicot, embaixador francês em Portugal que deve ter apresentado aos franceses este costume).


As viagens de Sir Walter Raleight no final do século XVI ao continente que passou a ser chamado de “América” foram o meio pelo qual o fumo chegou à Inglaterra. A produção comercial do tabaco começou nas colônias americanas logo depois. Praticamente desde o começo o fumo causou controvérsia. Apesar de alguns experts acreditarem que o tabaco tinha propriedades medicinais, outros, como o Rei James I da Inglaterra (o mesmo rei James que encomendou a tradução da Bíblia que leva seu nome) bania o fumo.


Na época, o cachimbo era padrão entre os europeus. Os espanhóis começaram a produzir os charutos da maneira que nós o conhecemos, durante o século XVIII, usando o tabaco cubano. (O charuto cubano veio mais tarde naquele século, mas rapidamente sucedeu o charuto industrial do país pai de Cuba, conforme fumantes dedicados perceberam que o charuto viajava melhor do que o tabaco bruto).


Em 1762, o general Israel Putnam de Connecticut, retornando de uma missão em Cuba, introduziu o charuto ao que ainda não era os Estados Unidos (pelo qual ele iria lutar mais tarde como membro do Exército Revolucionário). Durante o final do século XVIII e início do século XIX, charutos manufaturados se espalharam a partir do norte da Espanha, primeiro para a França e Alemanha e finalmente para a Inglaterra, na década de 1820.


Fumar charuto explodiu em popularidade na Europa durante a década de 1850, parcialmente por causa  da Guerra de Criméia, que gerou a a disponibilidade do delicioso tabaco turco, e parcialmente graças ao exemplo daquele que viria a ser o rei Eduardo VII, um apaixonado pelo tabaco e ícone da moda. (Ninguém se surpreenderia ao descobrir que a mãe de Eduardo, a rainha Vitória, odiava o fumo). Nos estados Unidos a popularidade veio um pouco mais tarde, durante a Guerra Civil.


Mas a mesma revolução de tabaco que assegurou a popularidade do charuto também assegurou sua eventual quase obsolescência. Produtores de tabaco começaram a desenvolver cigarros como uma alternativa menor e mais barata para os charutos no início do século XIX, buscando atrair consumidores menos exigentes; durante a Primeira Guerra Mundial, com a ajuda das máquinas de produção de cigarros criadas na década de 1880, esta onipresente cópia superou seu antepassado.


Mas, por outro lado, os cigarros nunca ofereceriam o sabor e experiência que um bom charuto artesanal. Com isso, o luxuoso mecanismo de usar o tabaco explodiu em popularidade nos Estados Unidos durante a década de 1990, no momento exato em que as vendas dos cigarros despencaram devido ao repúdio da população ao “Grande Tabaco” e ao medo do câncer de pulmão que foi, naquela época, ligado aos fumantes inverterados. Consumidores reconheceram que os charutos ofereciam, e ainda oferecem, uma oportunidade de experimentar o fumo como uma comemoração, uma afirmação, e não como um vício.


Ann Knapp - http://www.artipot.com/authors/1593/ann-knapp/

 

Celso Nogueira   Celso Nogueira - Celso Nogueira - Tradutor literário, editor e colunista especializado em alimentos e bebidas, realiza palestras e conduz degustações sobre gastronomia, cachaça e charutos. Foi um dos fundadores e atuou como diretor da confraria Cigar Club.

 

 

 
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