Pedro Juan Gutiérrez escancara os podres de Havana esfumaçada
por Celso Nogueira

PartagasUm livro inédito, relançamento de seu maior sucesso e visita ao Brasil trazem o escritor e charuteiro fanático Pedro Juan Gutiérrez de volta ao noticiário.

Há dez anos um livro de crônicas com toques autobiográficos revelava um novo escritor e as entranhas de Havana. Dando as costas à versão oficial do partido comunista, Pedro Juan Gutiérrez mostrou como tipos populares se viram para escapar da miséria e da opressão, num livro tão escatológico quanto divertido, Trilogia Suja de Havana. Seu humor cáustico rendeu recentemente Nosso GG em Havana, em que invoca Graham Greene, que também escreveu sobre Cuba.

No início dos anos 1950, o escritor inglês Graham Greene fez várias visitas a Cuba. ''Não acompanhei as prisões arbitrárias tampouco a tortura na cidade de Fulgêncio Batista, mas fui atraído pela vida no bordel, as sessões do cine Shangai onde, por pouco mais de um dólar, podia-se ver espetáculos pornográficos de extrema obscenidade'', relembrou Greene, citado no livro.

Segundo o Estado de S. Paulo, tamanha diversão não escapou ao cubano Pedro Juan Gutiérrez que, baseado na farra do inglês pela ilha de Fidel Castro, escreveu Nosso GG em Havana, novela satírica que a Alfaguara lançou em maio de 2008. Trata-se de uma homenagem bem-humorada ao autor de O Terceiro Homem e O Americano Tranqüilo, que começa já no título, referência a Nosso Homem em Havana (todos editados pela Record).

PartagasNa história, Greene chega a Havana em julho de 1955 para esclarecer um mistério: alguém, identificado como ele, foi preso ao lado de um travesti bem-dotado. É o ponto de partida para uma aventura envolvendo estrelas da pornografia, agentes do FBI e da KGB, caçadores de nazistas, uma fauna bem temperada por Gutiérrez, autor de Trilogia Suja de Havana (reeditado pela Alfaguara em 2008), no qual descreve a cidade e seu povo: Em Centro Havana as pessoas vivem de ar. Ninguém tem dólares e já se acostumaram a viver de água com açúcar, rum e tabaco, e muito tambor. É assim que é.

Vida e obra

PartagasPedro Juan Gutiérrez (Matanzas, Cuba, 1950) é reconhecido internacionalmente como um dos escritores mais talentosos da nova narrativa cubana. Começou a trabalhar aos onze anos, como vendedor de sorvete e de jornal. Foi soldado sapador durante quase cinco anos, instrutor de natação e caiaque, cortador de cana-de-açúcar e trabalhador agrícola de 1966 a 1970, técnico em construção, desenhista técnico, locutor de rádio e, durante 26 anos, jornalista. No site oficial do autor - http://www.pedrojuangutierrez.com/index.htm - ele reserva espaço em sua galeria de fotos para o tópico Fumador, em que aparece com seus puros favoritos, como os Cohiba Lanceros, e cita um trecho de seu livro Animal Tropical: "Doy fuego al puro y saboreo el humo mientras la miro. Ah, carajo, atardecer, vodka y tabaco." (Animal tropical). Gutiérrez disse à Folha de S. Paulo que não consegue explicar o sucesso de seu livro, hoje traduzido para mais de 20 línguas, e que sua matéria-prima já se esgotou. "Já não consigo mais escrever sobre o lugar em que vivo." Curiosamente, o Brasil pode ser o tema de seu próximo romance: "Quero conhecer Manaus e escrever sobre a idéia de ir até lá." Também pintor e poeta,  Gutiérrez não perde a chance de viajar para o Brasil. Esteve aqui duas vezes em 2008. Veio para o lançamento de Nosso GG em Havana, em maio, e voltou em outubro para uma programação que incluiu palestras em Porto Alegre e São Paulo.



Poesia

Espléndidos peces plateados

En el ojo del huracán
la luna parpadea sobre los espléndidos peces plateados
que saltan en el océano.
La mariposa fulgurante,
la florecilla roja que se desgrana,
pero la casa se me cae a pedazos.
En el centro de la tormenta
una cucharada de arroz seco.
Ahora o nunca, Moby Dick.
Jamás compro el boleto de regreso.
Sin anestesia, Jonás.
Entre el vientre enorme,
enciende una vela y quédate tranquilo.
Puedes orar o masturbarte.
Haz lo que quieras, o lo que puedas.
Nadie te verá.
Todo quedará entre tú y Dios.
Y él sabe comprender
a los que a veces nos masturbamos.
Tristemente. Solitariamente.
Agarramos nuestro sexo y lo frotamos
y lo frotamos. Y nos perdemos algo mejor.
Seguramente nos perdemos algo mejor.
Por miedo tal vez.
Por soledad.
Por tristeza de la luna.
Lo frotamos y lo frotamos.
Ah, Moby Dick,
¿qué sabes tú de masturbaciones solitarias?
¿qué sabes tú de esperar y esperar?
De estar en el fondo.
Aquí en el ojo del huracán, pisoteado.
Con una venda sobre la boca. Una venda gruesa.
Con las manos amarradas a la espalda,
hambreado.
Y ya sin saber cómo los peces plateados saltan en el océano
en estas noches de luna llena.
Espléndidos peces plateados que yo no veo.
Te repito:
espléndidos peces plateados que ya no puedo ver.
Espléndidos peces plateados sigan saltando. No escuchen
los gemidos de amor y desolación
de los infelices que se masturban y oran
en el vientre de la ballena.

Celso Nogueira   Celso Nogueira - Celso Nogueira - Tradutor literário, editor e colunista especializado em alimentos e bebidas, realiza palestras e conduz degustações sobre gastronomia, cachaça e charutos. Foi um dos fundadores e atuou como diretor da confraria Cigar Club.

 

 
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