O quarto descobridor
Por Celso Nogueira

Além de ter sido revolucionário de primeira hora e um dos principais cientistas cubanos, Antonio Núñez Jiménez (1923-1998), destacou-se como uma das maiores autoridades em tabaco de seu país.


Além de ter sido revolucionário de primeira hora e um dos principais cientistas cubanos, Antonio Núñez Jiménez (1923-1998), destacou-se como uma das maiores autoridades em tabaco de seu país.

Jiménez, com sua prosa agradável e estilo preciso, escreveu também o clássico El Viaje del Habano, obra indispensável para quem deseja saber como se faz o melhor charuto do mundo, e liderou o projeto “En canoa del Amazonas al Caribe”, iniciativa pioneira de integração latino-americana. Ficou conhecido como “o quarto descobridor de Cuba”. Os três primeiros foram o navegador Colombo, o naturalista alemão Humboldt e o pesquisador cubano Fernando Ortiz. Da obra de Jiménez destaca-se ainda a Geografia de Cuba, livro didático proibido na época de Batista e até adotado nas escolas da ilha após a ascensão de Fidel Castro ao poder.

Em 1999 o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas lançou uma edição em português de "De Canoa, do Amazonas ao Caribe". O livro inclui fotos tiradas por

Núñez Jiménez, além de seu relato detalhado da viagem que teve início no Equador, se estendeu por 17.422 quilômetros, passou por 20 países e durou um ano. De leitura interessante e envolvente, "De Canoa, do Amazonas ao Caribe" ainda traz um bônus: o prefácio do escritor colombiano Gabriel Garcia Marques, intitulado "Memórias de Antonio em sua cadeira de balanço navegadora", em homenagem ao autor.

Plantas novas

Segundo a Agência Cubana de Notícias, até hoje biólogos cubanos estudam espécies de plantas coletadas durante a expedição "De canoa do Amazonas ao Caribe", o projeto científico mais integrador do século xx para latino-americanos e caribenhos.

Aproximadamente cinco mil amostras de vegetais foram coletadas na expedição organizada por Antonio Núñez Jiménez, num percurso por cinco países da América do Sul e quinze insulares, disse Leda Martínez, especialista do Instituto de Ecologia e Sistemática (IES), em Havana. Entre elas há amostras de tabaco silvestre que podem servir para o aprimoramento genético das variedades hoje cultivadas na ilha, e que era usado pelas populações indígenas como medicamento.

As plantas estão no Instituto, algumas ainda para serem classificadas, explicou Martínez, que fez parte do grupo de exploradores que participou da viagem pelos rios sul-americanos, utilizando canoas como as dos índios.

A pesquisadora, com mais de 30 anos de pesquisa ecológica, lembra-se do trabalho de campo na bacia do rio Amazonas, uma das áreas de maior biodiversidade do mundo, mas submetida a um acelerado processo de desflorestamento. Especialistas dos herbários de Iquitos (no Peru), de Ayachucho (na Venezuela) e outros contribuíram para a coleta e a classificação dos exemplares, muitos deles obtidos durante longos períodos na floresta.

A expedição "De canoa do Amazonas ao Caribe" saiu do porto fluvial equatoriano de Misahuallí em março de 1987 e terminou em julho de 1988 em Havana. A Primeira Conferencia Regional "Expedições, Explorações e Viageiros no Caribe", que reúne até hoje especialistas cubanos, italianos e mexicanos, dedicou seus trabalhos a Antonio Núñez Jiménez.

 

 

 
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