O Primeiro Cachimbo - A profecia do Búfalo Branco
Por Castro Valdomiro

Para o povo Nativo da América do Norte, o nascimento de um búfalo branco é um sinal do "fim dos tempos". Três destes animais já nasceram desde 1995. Um morreu logo após seu nascimento. O último nasceu em Dakota do Sul, EUA.

Em um verão a muito tempo atrás, sete fogos de conselho sagrado da Nação Lakota Oyate, se reuniram e acamparam.Todos os dias eles enviavam batedores para procurar alguma caça mas eles não encontravam nada. O povo estava faminto. Entre os bandos reunidos estavam os Itazipcho, os 'Sem-arcos' que eram liderados pelo Chefe Chifre Ôco de Pé. Numa manhã bem cedo o Chefe enviou dois de seus guerreiros para caçar nas Montanhas Negras da Dakota do Sul. Eles procuraram por todos os lugares mas não encontraram nada. Então eles resolvem escalar uma colina bastante alta para poderem avistar toda a terra.

No meio do caminho, eles avistam algo vindo, bem de longe, em sua direção, mais se parecendo com um novilho de búfalo branco; mas a figura estava flutuando em vez de andar. Dalí, eles souberam que era uma pessoa wakan, santa. No início eles podiam ver somente uma pequena mancha se movendo mas eles sabiam que ela tinha a forma humana. E assim que ela se aproximou mais eles viram que era uma linda jovem índia, mais linda do que todas que eles conheciam. Ela usava um traje de couro branco que brilhava ao sol. Ele estava bordado com lindos desenhos sagrados de espinhos do porco-espinho, em cores tão radiantes que nenhuma mulher seria capaz de fazer. Esta estranha santa era Ptesan-Wi, a Mulher Novilho Búfalo Branco.

Em suas mãos ela levava um fardo grande e um leque de folhas de salvia. Tinha seus cabelos soltos exceto por uma trança no lado esquerdo que era amarrada com pele de búfalo. Seus olhos eram negros e brilhantes, com grande poder neles.Os dois jovens olhavam para ela boquiabertos, mas um deles a desejou esticando seus braços para tocá-la. Esta mulher era lila wakan, muito sagrada e não podia ser tratada com desrespeito. Instantaneamente um raio atingiu o jovem fulminando-o no lugar, sobrando somente um montinho de ossos queimados. Em uma outra versão dizem que a mulher pediu ao guerreiro que estava com pensamentos ruins para dar um passo a frente, e instantaneamente uma nuvem negra envolveu o seu corpo e quando ela se dissipou, não havia restado nada dele. O outro guerreiro se ajoelhou e começou a rezar.

Ao outro jovem que havia se comportado corretamente, a Mulher Búfalo Branco falou: "Trago boas coisas, algo sagrado para sua nação. Um mensagem eu carrego para o seu povo, do povo da nação do Búfalo. Volte à sua tribo e diga a seu povo para se preparar para minha chegada. Diga a seu Chefe para erigir uma tenda medicinal com vinte e quatro postes. Que ela seja santificada para minha chegada."

O jovem caçador voltou à sua tribo e contou ao Chefe e ao povo o que a mulher sagrada havia ordenado. E assim, o povo erigiu uma grande tenda medicinal e esperou. Depois de quatro dias eles viram a Mulher Novilho Búfalo Branco se aproximar, levando o fardo diante dela. Com seu lindo vestido de couro branco brilhava de longe, ela chegou entoando uma canção sagrada; "Com um sopro visível, eu caminho. Um voz eu envio enquanto caminho. De maneira sagrada, eu caminho. Com pegadas visíveis, eu caminho. De um jeito sagrado, eu caminho." O Chefe Chifre Ôco de Pé convidou-a para entrar na tenda medicinal.

Ela entrou e circulou o interior no sentido do sol. O Chefe se dirigiu a ela com respeito dizendo: "Irmã, nós estamos felizes que você tenha vindo nos instruir." Ela disse a ele o que ela queria que fosse feito. No centro da tenda era para eles fazerem um owanka wakan, um altar sagrado, feito de terra vermelha com um crânio de búfalo e um suporte de três paus para uma coisa sagrada que ela estava trazendo.

Eles fizeram o que ela havia orientado e ela fez um desenho na terra vermelha macia do altar. Ela mostrou a eles como fazer tudo, e depois ela circulou a tenda de novo no sentido do sol. Parando diante do Chefe, ela abriu o fardo. A coisa sagrada que ele continha era o chanunpa, o cachimbo sagrado. Ela o levantou para que todos pudessem vê-lo. Ela estava segurando a haste com a mão direita e o bojo com a esquerda, e é assim que o cachimbo é segurado desde então.

Novamente o Chefe falou: Irmã, nós estamos felizes. Não temos tido carne já a algum tempo. Tudo que temos a oferecer é água." Eles derramaram alguma wacanga,erva doce, na bolsa de couro com água e ofereceram a ela, e até hoje o povo coloca erva doce ou uma asa de águia na água e a borrifa na pessoa a ser purificada.

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A Mulher Novilho Búfalo Branco mostrou ao povo como usar o cachimbo. Ela o encheu com chan-shasha,tabaco de casca avermelhada de salgueiro. Ela caminhou ao redor da tenda do mesmo jeito do Anpetu-Wi, o grande sol. Isto representava o círculo sem fim, a volta sagrada, a estrada da vida.

A mulher colocou uma lasca de búfalo seco no fogo e acendeu o cachimbo com ela. Este era peta-owihankeshni, o fogo sem fim, a chama a ser passada de geração a geração. Ela contou a eles que a fumaça que se elevava do bojo era o sopro de Tunkashila, o sopro de vida da grande Avó Mistério.

Depois a Mulher Novilho Búfalo Branco mostrou ao povo o mofo certo de orar usando as palavras e o gestos corretos. Ela os ensinou a cantar a canção de enchimento do cachimbo e como elevar o cachimbo ao céu, em direção ao Avô, e para baixo em direção à Avó Terra, para Unci, e depois para as quatro direções do universo.

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"Com este cachimbo sagrado," ela disse,"vocês caminharão como uma prece viva. Com seus pés descansando sobre a terra e a haste do cachimbo alcançando os céus, os seus corpos formam uma ponte viva entre o Sagrado Abaixo e o Sagrado Acima. Wakan Tanka sorri para vocês, porque agora nós somos um: terra, céu, todas as coisas vivas, os sêres de duas pernas, os de quatro pernas e os de asas, as árvores, as ervas. Juntos com o povo, estão todos relacionados, uma família. O cachimbo os mantém todos juntos.

"Olhem para este bojo," disse a Mulher Novilho Búfalo Branco."Sua pedra representa o búfalo, mas também a carne e o sangue do homem pele vermelha. O búfalo representa o universo e as quatro direções, porque ele se apóia em quatro pernas, para as quatro eras da criação. O búfalo foi colocado no Oeste por Wakan Tanka na criação do mundo, para reter as águas. Todo ano ele perde um fio de pelo, e em cada uma das quatro eras ele perde uma perna. O ciclo sagrado chegará ao fim quando todo o pelo e as pernas do grande búfalo estiverem ido, e a água voltará para cobrir a Mãe Terra. A haste de madeira deste chanunpa representa tudo que cresce na terra. As doze penas penduradas onde a haste - a espinha dorsal - se junta com o bojo - o crânio - são da Wanblee Galeshka, a águia manchada, o mesmo pássaro sagrado que é o mensageiro do Grande Espírito e o mais sábio de todos que voam. Vocês estão se unindo a todas as coisas do universo, pois todos clamam por Tunkashila. Olhem para o bojo: gravado nele estão sete círculos de vários tamanhos. Eles representam as sete cerimônias sagradas que vocês praticarão com este cachimbo, e também, os Oceti Shakowin, os sete acampamentos sagrados de nossa nação Lakota."

Então a Mulher Novilho Búfalo Branco falou às mulheres, contando-lhes que foi o trabalho de suas mãos e o fruto de seus corpos que mantiveram a nação viva. "Vocês são da Mãe Terra," ela lhes disse, "o que vocês fazem é tão grande quanto o que os guerreiros fazem." Portanto o cachimbo sagrado é também algo que liga homens e mulheres em um círculo de amor. Este é o objeto sagrado que, tanto os homens quanto as mulheres possuem com aliado.

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Os homens entalham o bojo e fazem a haste; as mulheres o decoram com faixas de cerdas coloridas. Quando um homem toma uma mulher como esposa, ambos seguram o cachimbo ao mesmo tempo, e uma tira de pano vermelha é amarrada em torno de suas mãos, os atando junto por toda a vida.

A Mulher Novilho Búfalo Branco tinha muitas coisas em sua algibeira sagrada para elas, suas irmãs Lakota; milho, wasna, nabo do mato. Ela ensinou como fazer uma lareira. Ela encheu a bolsa de búfalo com água e colocou uma pedra incandescente dentro dela. "Deste jeito vocês cozinham o milho e a carne."

A Mulher Novilho Búfalo Branco também falou com as crianças, porque elas possuem uma compreensão além dos anos que possuem. Ela conta a elas que o que seus pais e mães fizeram foi para elas, ques seus pais podiam se lembrar que já foram crianças um dia, e que elas, as crianças, cresceriam e teriam seus próprios filhos. Continuou ainda dizendo: "Vocês são a geração vindoura, e é por isso que vocês são os mais importantes e preciosos. Algum dia você segurarão este cachimbo e o fumarão. Algum dia vocês rezarão com ele."

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E mais uma vez ela falou a todo o povo: "O cachimbo está vivo; ele é um ser vermelho mostrando-lhes uma vida vermelha em uma estrada vermelha. E esta é a primeira cerimônia em que vocês usarão o cachimbo. Vocês o usarão para guardar a alma de uma pessoa morta, porque por meio dele você podem falar com Wakan Tanka, o Grande Mistério. O dia em que um ser humano morre é sempre um dia sagrado. O dia em que a alma é libertada para o Grande Espírito é outro."

Ela falou uma última vez para o Chefe Chifre Ôco de Pé: "Lembre-se: este cachimbo é muito sagrado. Respeite-o que ele o levará até o fim da jornada. As quatro eras da criação estão em mim. Eu voltarei para vê-lo em cada ciclo da geração. Eu voltarei até você."

Ela ensinou a eles sete cerimônias sagradas. Uma delas foi a Tenda do Suor, ou Cerimônia da Purificação. A outra foi a Cerimônia de Nomeação, dar nomes às crianças. A terceira foi a cerimônia de cura. A quarta foi a feitura de parentes ou cerimônia de adoção. A quinta foi a cerimônia de casamento. A sexta foi a Busca de Visão e a sétima foi a cerimônia da Dança do Sol, a cerimônia do povo de todas as nações.

Ela ensinou canções e ritos tradicionais e instruiu o povo que se eles fizessem estas cerimônias eles seriam sempre os cuidadores e guardiães da terra sagrada. E que, se tomassem conta desta terra eles jamais morreriam e viveriam para sempre.

A Mulher Novilho Búfalo Branco então deixou o povo, dizendo: "Toksha ake wacinyanktin ktelo - Eu os verei de novo. "E ainda: "...lembrem-se que os de duas pernas e todos os outros povos que habitam a terra são sagrados e devem ser tratados como tal... "O povo ficou olhando para ela caminhando na mesma direção em que havia chegado, delineada por uma grande bola vermelha do sol poente. A medida em que afastava, ela girou quatro vezes. Na primeira vez, ela se transformou em um búfalo preto; na segunda em um amarelo; na terceira em um vermelho; e finalmente, na quarta vez em que ela girou, ela se transformou em um novilho búfalo branco.

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Um búfalo branco é a coisa viva mais sagrada que se pode encontrar. A Mulher Novilho Búfalo Branco desapareceu no horizonte. Tão logo ela desapareceu, uma grande manada de búfalos apareceu, se deixando abater para que o povo pudesse sobreviver. E a partir daquele dia, nossas relações, o búfalo, supriu o povo com tudo que precisavam - carne com alimento, peles para suas roupas e tendas, e ossos para suas ferramentas.

Recontado por Sérgio Pereira Alves, baseado no livro American Indian Myths and Legends, 1980, por Erdoes and Alfonso Ortiz.

 

O cachimbo do Novilho de Búfalo Branco está em um lugar sagrado (Green Grass) em uma Reserva Indígena do Rio Cheyenne na Dakota do Sul mantido por um homem que é conhecido como o Guardador do Cachimbo do Novilho de Búfalo Branco, Arvol Looking Horse. Ele diz que está escrito que na próxima vez em que houver caos e disparidade, a Mulher Novilho Búfalo Branco retornará.

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Quando a Mulher Novilho Búfalo Branco prometeu voltar, ela fez umas profecias. Uma delas foi o nascimento de um novilho de búfalo branco que seria um sinal de que estaria próximo o dia de sua volta para purificar o mundo novamente, trazendo harmonia e equilíbrio espiritual.

O nascimento de um novilho búfalo branco em Janesville pode ser visto como um presságio de um futuro próspero e harmonioso. Para Joseph Chasing Horse, os curandeiros, os lideres espirituais, os mais velhos e todos nós devemos orar para o mundo. Devemos orar para que a humanidade desperte e pense sobre o futuro, pois nós não só herdamos esta terra de nossos ancestrais como a estamos tomando emprestado de nossas crianças ainda não nascidas.

 

A Profecia

Parte desta profecia fala de sete fogos ou eras. Durante o sétimo fogo, um novo mundo será formado unindo todas as raças - vermelha, branca, amarela e preta. Neste novo mundo seremos capaz de nos comunicarmos telepaticamente como também seremos capazes de viajar astralmente a outros planetas.

Entretanto, no início do sétimo fogo, a raça branca deverá fazer uma escolha - tecnologia ou natureza e que também a escolha errada nos levará à destruição. A escolha certa nos levará a uma nova era de harmonia. A Mulher Novilho Búfalo Branco ( A Irmã mais Velha) é o espírito do Norte e sua reaparição significa que nossas preces de paz foram atendidas.

A Chegada do Búfalo Branco

Em 1890, o líder lakota Cavalo Louco (Crazy Horse) previu o retorno da Mulher Novilho Búfalo Branco. Floyd Hand, também teve uma visão de um búfalo branco,em 1968. Ele é um puro índio Sioux Oglala, lider espiritual e neto do Pé Grande Alce Pobre (Poor Elk. Com a idade de 8 anos ele foi iniciado por seus avós para ser seus lider. Em 1979, o Chefe Fools Crow deu a ele um cachimbo sagrado. Ele tem servido ao Grande Espírito por mais de 50 anos, curando pessoas - usando remédios espirituais. Toda esta experiência o preparou para um evento milagroso que ocorreu em 1994.

O Milagre

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O primeiro Novilho Búfalo Branco nasceu em Janesville, Wisconsin em 20 de agosto de 1994. Seu nascimento coincidiu com a assinatura do acordo Unidade e Paz patrocinados pelos conselhos de Abernaki e da Aliança, conduzido em Evansville, Vermont exatamente na mesma hora do nascimento. Esta novilha é considerada uma dádica para todos os povos, indígenas e espiritualizados, em todo o mundo, trazendo todas as crenças mais próximas da fé, harmonia e amor universal.

De acordo com a lenda, o novilho deveria passar por todas as mudanças de cores que o original. Esta novilha se chama Miracle (Milagre) e seu manto já mudou de preto para vermelho e depois amarelo. Sua cor atual é loura, com faixas prateadas no dorso. Espera-se que ainda continue mudando até o branco.

De acordo com a Associação do Bisão Americano, as chances do nascimento de um búfalo branco pode ser até de um em 40 milhões

 

Castro   Castro Valdomiro – Administrador de Empresas.
Apreciador de Cachimbos e Degustador de Charutos desde 1970.
Um dos Fundadores do Cigar Club, atualmente Diretor Moderador da Confraria
Amigos do Cachimbo - cAc e proprietário do Portal de Charutos do Brasil.

 

 

 
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