Nicarágua se destaca pelos charutos encorpados
Por Celso Nogueira


A Nicarágua demorou a ocupar seu lugar de destaque na produção de charutos Premium por conta de conflitos políticos e catástrofes naturais. O clã Somoza, que dominou o país até os anos 1970, dava péssima fama a ótimos charutos. O esquerdismo superado dos sandinistas mostrou que nem sempre guerrilheiros por uma causa justa dão bons governantes.

Finalmente, depois de terremotos e furacões devastadores, a Nicarágua recupera-se em todos os sentidos. Tornou-se uma democracia respeitada, investiu no cultivo do tabaco e ganhou fama mundial.

Isso se deu também por conta de um relacionamento político e comercial que data da revolução cubana. Primeiro foram os fugitivos da revolução que se instalaram lá a partir de 1959. A revolta Sandinista acabou com a ditadura, atraindo a simpatia dos cubanos no poder. Assim, pela esquerda ou pela direita, os produtores de charutos da Nicarágua passaram a contar com a expertise dos cubanos.

Fatores como tecnologia, sementes cubanas e terra negra fértil tornaram a região de Jalapa conhecida e os charutos feitos lá valorizados no mercado norte-americano.

Nos últimos anos os apreciadores de fumos mais encorpados, que costumavam torcer o nariz aos produtos vendidos nos Estados Unidos, passaram a tratar com o maior respeito marcas como Joya de Nicaragua, pioneira na produção local a partir dos anos 1960. A presença do ditador Somoza entre os sócios, porém, criou antipatia em relação a esses charutos.

O vaivém político que misturou sandinistas, somozistas, contras, igreja católica e interesses norte-americanos gerou conflitos e oportunidades. Com a volta da democracia foi possível separar posições políticas e atividade econômica. A fábrica dos Joya, por exemplo, foi nacionalizada pelos sandinistas, passou a uma cooperativa de produtores e acabou novamente nas mãos da iniciativa privada, recuperando no final dos anos 1990 parte do prestígio que detinha em 1970, quando começou a confusão que causou ruptura no plantio e preparo do tabaco, bem como encalhe dos charutos, banidos dos USA durante o período sandinista.

Em 2002 chegou linha Antaño, que em espanhol quer dizer antigo. Forte, potente, encorpada, a linha usa 100% tabaco nicaraguense de semente Havana Criollo nas vitolas atuais: 



Magnum 660 (6x60)
Perfecto (6 1/8x50-58)
Churchill (6 7/8x48)  
Belicoso (6x54)
Robusto Grande (5 ½x52)
Gran Cónsul (4 ¾x60)          
Lancero (7½x38)
Cónsul (4 ½x52)
Machito (4 ¾x42)



Joya de Nicaragua Celebración é a linha média a forte, considerada em 2004 uma das 25 melhores pela Cigar Aficionado. De sabor rico, apimentado, apresenta notas de café e chocolate no segundo terço, com um leve adocicado final do Toro. Capa Colorado Claro, miolo e subcapa são todos colhidos das diferentes regiões produtoras. Formatos atuais:

Gordos (5½x60)
Churchill (6 7/8x48)      
Torpedo (6x52)
Toro (6x50)                   
Cónsul (4 ½x52)
Corona (5 ½x42)



As regiões

São quatro as regiões privilegiadas para o cultivo do fumo no país, Jalapa, Estelí, Condega e Ometempe. Estelí se destaca pela fértil terra preta que produz um tabaco forte, aromático, escuro – o mais potente do país. No solo rochoso de Condega crescem variedades de sun-grown de folha fina, intensos, consequência das nuvens que cobrem constantemente a região. São fumos adequados a bucha e capote.

Jalapa, no norte, perto da fronteira com Honduras, rende o tabaco mais suave e aromático, além das melhores capas. O local mais exótico, Ometempe, situa-se numa ilha vulcânica no lago Nicarágua. O solo vulcânico, valorizado pelos plantadores de fumo pela riqueza em minerais, dá ao tabaco um sabor único, terroso, adocicado.

Hoje os especialistas consideram essas regiões capazes de oferecer alguns dos melhores tabacos mundiais, rivais de terroirs consagrados como Mata Fina, no Brasil, San Andrés, no México, e a região próxima de Santiago, na República Dominicana. (Saiba mais sobre regiões produtoras no Curso de Charutos, Aula 2, por Cesar Adames, neste site).

Entre os charutos cada vez mais cobiçados, feitos com fumo nicaraguense, estão os  Tatuaje, Don Pepin, Padilla, Oliva, Padron e Perdomo. Os Oliva são puros da Nicarágua, seguindo a tradição de cultivar o mesmo fumo em diversas áreas, para escolher o blend adequado. O Oliva O, por exemplo, é feito com fumo de semente cubana plantado em Estelí, Condega e vale do Jalapa.

Os Padron produzem um charuto considerado clássico, com fumos envelhecidos pelo menos três anos que rendem belas capas escuras (Maduro). A família Padron, de origem cubana, trouxe da ilha e guarda a sete chaves os segredos de sua fabricação. Jorge Padron, filho do fundador José Padron, supervisiona todos os aspectos da produção, desde a semeadura até a distribuição do produto final. O Padron Aniversario 1926 é um puro poderoso, raro, disputado, feito com fumos envelhecidos 5 anos. Mas há linhas mais acessíveis e muito apreciadas.

Um inesperado e conhecido companheiro das marcas citadas é o Dannemann Artist Line, pois a empresa mantém uma fábrica na Nicarágua que produz charutos destinados ao mercado europeu. Por enquanto, porém, fumar esses Dannemanns ou os puros nicaraguenses citados depende das compras em viagem, pois é raro encontrá-los no mercado nacional, que oferece principalmente o Quorum, um charuto suave, não muito representativo.

Outra curiosidade: o CAO Brasilia, um dos charutos mais comentados da atualidade, apresenta capa brasileira escura e miolo nicaraguense, um blend que vem conquistando cada vez mais apreciadores de charutos fortes. Mas talvez o melhor puro nicaraguense seja o exclusivo Tatuaje. A marca Tatuaje foi criada pelo mestre Don Pepin Garcia para "Tattoo" Pete Johnson. Felizmente Don Pepin também produz diversas linhas com seu nome nas fábricas de Miami e Estelí, mais acessíveis.

Espera-se que todos esses charutos possam ser adquiridos pelos brasileiros com mais facilidade em breve, pois a procura cresce e as tabacarias que conseguem algumas caixas, esporadicamente, não têm tido motivos para queixas, segundos seus responsáveis.

Celso Nogueira   Celso Nogueira - tradutor, editor e redator especializado em alimentos e bebidas, trabalha com marketing de relacionamento em uma multinacional e faz traduções literárias e gastronômicas, além de realizar palestras e conduzir degustações sobre gastronomia, cachaça e charutos. Foi um dos fundadores e atuou como diretor da confraria Cigar Club.

 

 
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