O leitor de galeras
por Cesar Adames

PartagasHábeis na utilização da chaveta (instrumento para cortar as folhas) e na elaboração de charutos os tabaqueros cubanos ainda são os trabalhadores com maior acesso à cultura.  Isto vem desde que em 1864 se instituiu em Cuba um personagem singular, o leitor de galeras.  Ele nasceu  da necessidade de amenizar a alta carga horária de um trabalho feito em silêncio. Naquela época não existia rádio e nem seria interessante colocar música para distrair a atenção dos trabalhadores.



No início o leitor era pago pelos próprios trabalhadores que se cotizavam e pagavam um centavo diário por seu trabalho. Com o passar do tempo este custo foi absorvido pelos donos das fábricas que ficaram interessados com o aumento da produção. Os trabalhadores escutavam desde “Os Miseráveis” de Victor Hugo até “Cecília Valdés” de Cirilo Villaverde. Geralmente o leitor ficava em uma tribuna ou mesa mais alta, ele tinha que ter uma boa dicção, ler pausadamente para que todos pudessem entender  e além disto ainda tinha que dramatizar os diálogos lidos fazendo voz de homem, mulher e criança. Hoje em dia nas fábricas  Partagas e H.Upmann os tabaqueros de todos os pisos escutam o leitor pelos alto falantes instalados nos andares, fato conseguido anteriormente somente com o poder da voz do leitor.



A idéia  do leitor de galeras surgiu com o jornalista Saturnino Martinez que trabalhava no jornal operário “La Aurora”. O primeiro leitor, cujo nome não se tem idéia,  subiu em uma espécie de andaime na fábrica “El Fígaro” no dia 21 de Dezembro de 1865. A idéia foi acolhida com alegria pelos trabalhadores que naquela época chegavam cansados à fábrica, pois tinham que trazer de suas casas as mesas, instrumentos necessários para elaborar um charuto  e até mesmo o almoço.  Os jornais concorrentes do “La Aurora”,  logo começaram a ridicularizar a idéia e a chamar de galeras os locais onde eram elaborados os charutos em referência ao velho costume do presídio de Havana de ler aos reclusos as noticias do dia enquanto estes almoçavam.
A criação de grandes marcas presentes até hoje se deve aos livros lidos pelos leitores, O conde de Montecristo virou a marca Montecristo, do romance de Willian Shakespear surgiu “Romeo y Julieta” é até o clássico ‘Don Quixote” de Cervantes foi imortalizado pela marca Sancho Panza.



Cesar Adames é consultor na área de tabaco, professor do Senac e da IBA (International Bartender Association) na disciplina Charutos & Bebidas. Jurado do concurso internacional Habanosommelier e colaborador de diversas revistas, jornais e sites.

 

 
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