Hoyo de Monterrey double corona
por Celso Nogueira


PartagasOs charutos Hoyo de Monterrey estão entre os mais sutis dos cubanos. A suavidade dos Hoyo jamais sonega sabores e tem no robusto Epicure 2 seu mais famoso representante, que perde porém para o novo Epicure Especial.

O double corona, por sua vez, é escolha de charuteiros apaixonados. E o Palma Extra um dos melhores charutos disponíveis no Brasil em termos de custo/benefício.

A história começa com José Gener, um espanhol que chegou a Cuba em 1844, desejoso de fazer fortuna. Em 1860, adquiriu a fazenda Hoyo de Monterrey, em San Juan y Martínez, na famosa zona de Vuelta Abajo - a terra do melhor tabaco do mundo. Mas só em 1884 ele montou a marca de charutos que leva o nome da formosa várzea Hoyo de Monterrey. Depois de sua morte, em 1900, a filha Lutgarda Gener Séller assumiu os negócios do pai, particularmente da marca Hoyo de Monterrey. Em 1948, Fernando Palacio adquiriu totalmente a sociedade e criou a firma "Fernando Palacio y Cía., S.A.". Como se fosse o primeiro dia, os Hoyos de Monterrey continuam sendo torcidos à mão com as seletas folhas das famosas várzeas de San Juan y Martínez, na província de Pinar del Río. Tabacos com magnífica combustão, de aroma e sabor ao ponto, menos encorpados que outras marcas cubanas.  

Hoyo Double Corona

Entre os double coronas a preferência de muitos recai sobre o Partagas Lusitanias. Outros destaques: Ramón Allones Gigantes e Vegas Robaina Don Alejandro.

As fábricas cubanas repartem as capas conforme algumas linhas gerais. Por exemplo, capas mais escuras vão para os Partagas, os Bolivares tendem ao colorado e os Hoyo ganham as folhas mais claras. A mistura dos fumos – seco, ligero e volado – nos puros que José Gener começou a fabricar no final do século XIX predominam tabacos aromáticos em que se destacam nozes, amêndoas e madeiras, levemente adocicados, pouco picantes. Mesmo assim quase espirrei ao abrir a caixa de Hoyo de Monterrey double corona, um prominente (7 5/8 X 49 – 194 X 19,45 mm ) que pode render duas horas de fumada. O aroma intenso indicada um charuto ainda novo, com poucos meses de vida. A caixa chegou recentemente de Cuba, e foi feita na H. Upmann, responsável por alguns dos melhores puros da ilha. Hoje em dia as fábricas produzem diversas marcas de charutos, e por vezes sua origem é mais importante do que a própria anilha. Pela aparência e tradição este tabaco suporta guarda longa (até cinco anos), e deve atingir o auge em cerca de um ano.

Acendi à noite o primeiro Hoyo de Monterrey double corona deste lote, que imediatamente perfumou o ambiente. O feno, ou primeiro terço, era previsivelmente macio, destacando aromas de fumos novos, além de lácteos e herbais. No divino, terço médio ou corpo, os sabores se abriram: creme e amêndoas. Queima perfeita, regular, brasa cônica e puxada justa, no ponto certíssimo, nem plugada nem frouxa. No terço final (cabeça) despontou o leve apimentado do aroma a frio e a queima ficou um pouco prejudicada pela umidade acumulada, o que pode acontecer em dias chuvosos e charutos longos.  Foi um dos melhores charutos que já fumei na vida, o equivalente em tabaco aos grandes vinhos, um Petrus ou Romanée-Conti de Vuelta Abajo.

Um puro pode ser o segundo melhor prazer solitário (o primeiro é a leitura...), vendo um filme  policial de primeira, Sol Nascente (Rising Sun), com Sean Connery, de  1993.
A combinação com as bebidas foi feliz, a Serra Malte é uma cerveja ao gosto brasileiro, com amargor reduzido e pouco lúpulo, funciona mais como hidratante. Já a cachaça, por ter sido bem envelhecida, arredondou o suficiente para não apresentar arestas na companhia do tabaco.

Os outros exemplares do Hoyo devem ir bem com armagnac ou bons cafés. E com Porto vintage ou (correrei o risco) um tannat poderoso do calibre do Amat. Embora a harmonização entre tintos e charutos seja difícil, quando dá certo é de arrasar.

Se a ocasião não for especial e o tempo não for muito, uma versão reduzida do Hoyo de Monterrey, o Palma Extra (um corona, ou crema), pode agradar, e bastante, a preço camarada.



Celso Nogueira   Celso Nogueira - Celso Nogueira - Tradutor literário, editor e colunista especializado em alimentos e bebidas, realiza palestras e conduz degustações sobre gastronomia, cachaça e charutos. Foi um dos fundadores e atuou como diretor da confraria Cigar Club.

 

 
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