Harmonização de cervejas e charutos
Por Celso Nogueira

A imensa maioria das cervejas vendidas no Brasil são Pilsen, uma variedade das lagers, ou cervejas de baixa fermentação. No entanto, são as brejas de alta fermentação, ou ales, que melhor combinam com charutos encorpados, principalmente as escuras, feitas com maltes mais torrados.

A cerveja pilsen brasileira detém mais de 99% do mercado. Não admira que Brahma, Antarctica, Skol, Kaiser, Itaipava e Schin sejam as preferidas dos charuteiros. Mas há opções.

Por mais de um século as cervejas brasileiras tipo pilsen seguiram o padrão alemão, por conta dos imigrantes que no final do século XIX consagraram a bebida na preferência popular, desbancando o vinho. Eram encorpadas e amargas, como lembram com saudades os apreciadores da Antarctica de Ribeirão, da Brahma de Agudos e outras lendas.

Os tempos mudaram, a referência de gosto para a maioria da população passou a ser a
cerveja norte-americana, que leva menos cevada, menos lúpulo, mais milho e outros cereais. Leve, é quase um refrigerante de cevada. As nacionais de hoje seguem este padrão. Acompanham bem um charuto, que abafa seu sabor e faz com que funcionem mais como hidratantes. Não faria grande diferença tomar água com gás no lugar delas, como sabem os fãs de Skol com Damatta ou Dannemann, grandes pedidas para dias de calor, ao ar livre. A não ser pelo álcool.

Aliás, a tecnologia aprendeu a tratar a água usada na elaboração da cerveja, tirando a vantagem competitiva dos mananciais de água pura da montanha ou de aquíferos. Hoje qualquer água pode ser modificada para se tornar a água cervejeira, com o eventual desequilíbrio de sair minerais corrigido quimicamente.

Exceções

Alguns tipos e marcas disponíveis no mercado brasileiro, contudo, fogem um pouco das características citadas que tornaram nossas brejas parecidas com refrigerantes. Entre as mais saborosas pilsens temos Serra Malte, Heineken, Cerpa, Brahma Extra, Kaiser Gold e marcas de cervejarias menores, como Eisenbahn, Baden e Colorado. O malte e o lúpulo mais presentes as tornam adequadas para harmonização com charutos brasileiros suaves e médios, pois cubanos e hondurenhos fortes também as anulam. Entre as lagers escuras destaca-se a Bohemia.

A Colorado

A pilsen de Ribeirão Preto é feita com água do aquífero Guarany, maltes e lúpulos importados, mandioca e levedura de baixa fermentação. Tem teor alcoólico de 4,5%.
Seu nome Cauim vem do tupi e se refere a uma antiga bebida fermentada de cereais e mandioca, tradicional entre os índios brasileiros.

Segundo o fabricante, “nossa Pilsen Colorado procura recriar um estilo de cerveja que faz Ribeirão Preto famosa, a utilização de matérias primas nobres como a cevada maltada holandesa e o lúpulo tcheco, aliados a excelente água do aqüífero Guarani e a nossa levedura especial, forjaram esta jóia original, coroada de uma espuma densa e branca como um colar de pequeníssimas pérolas. Nossa receita de Pilsen foi criada pelo grande mestre cervejeiro Carlos Hauser, que durante várias décadas foi o principal maestro da fábrica da Antártica de Ribeirão Preto e é hoje uma referência no mundo micro-cervejeiro.”

A mandioca presente na Colorado Cauim não altera de maneira significativa o sabor da cerveja, que conquistou muitos charuteiros pela riqueza de sabor. A fábrica tem ainda a ótima ale, a Indica, uma IPA.

Outros tipos

A imensa maioria das cervejas vendidas no Brasil são pilsen, uma variedade das lagers, ou cervejas de baixa fermentação. No entanto, são as brejas de alta fermentação, ou ales, que melhor combinam com charutos encorpados, principalmente as escuras, feitas com maltes mais torrados.

Além das rauchbiers, cervejas com forte sabor defumado, como a Schlenkerla e a Eisenbahn, tipicamente consideradas ideais para acompanhar charutos, a Guinness Draught, uma stout, é a grande amiga dos cubanos, especialmente dos Montecristo. Um pint de Guinness com um Monte 4 é uma das combinações deliciosas. No entanto, pelo status popular da cerveja, esses casamentos felizes raramente aparecem nas sugestões dos sommeliers.

Segundo o colunista Josimar Melo, da Folha de S. Paulo, no livro Cerveja, “o fato é que a diversificação no consumo da cerveja no Brasil tende a enriquecer esse hábito que, mesmo sendo recente (não tem dois séculos), tornou-se tão ligado à cultura brasileira. A cerveja é produto de consumo de ricos e pobres. É comum que, quando os primeiros querem brindar os segundos com uma gorjeta, usem a expressão: 'Este dinheiro é para a cervejinha'. A mesma marca pode estar na geladeira do iate, para ser tomada pelos proprietários, e na geladeira do marujo, para ser bebida com os amigos depois do dia de trabalho. (...) As festas populares são freqüentemente regadas a cerveja no Brasil: é ela que protagoniza a mesa quando amigos e familiares se reúnem para assistir ao futebol (e tampouco falta nos estádios); é a bebida indispensável nas festas familiares, de aniversários a casamentos; e é praticamente a bebida oficial do carnaval --a grande celebração pagã, em que é indispensável haver uma boa dose de líquidos refrescantes e carburantes, funções que a cerveja cumpre com prazer. É o carnaval a época em que o consumo de cerveja vai às alturas - até dez anos atrás, era comum haver escassez nesse período do ano, já finalzinho de verão, o que deixou de existir em razão dos recentes investimentos da indústria para expandir a produção. “

A lendária Guinness faz 250 anos

Com quase 300 anos de história, a cerveja Guinness é produzida com a mesma composição: malte irlandês, água de Dublin, lúpulo e levedura. O resultado é uma bebida em que o amargo e o doce se equilibram com toques tostados. Não admira que seja a cerveja escura mais vendida do mundo.

A Guinness Draught em lata possui uma cápsula propulsora de nitrogênio, que libera o gás quando o lacre é rompido e o mistura ao líquido no momento em que este é derramado em outro recipiente. Por este motivo, a GUINNESS em lata deve ser consumida no copo tipo pint, e não diretamente da lata. Com o sistema a cerveja apresenta um colarinho mais firme e cremoso.

Além da cerveja, a marca Guinness lembra o famoso livro dos recordes. A idéia inicial, em calendários, era estabelecer a verdade nas mais diversas discussões de boteco, que versavam sobre temas fundamentais como o animal mais veloz (em terra, na água, no ar), o time com mais campeonatos e a idade do sujeito mais velho do mundo. Quando perceberam o imenso interesse dos britânicos, os responsáveis pela cervejaria passaram a lançar o livro anualmente, e o Guinness Book of Records tornou-se referência mundial em dados pitorescos.

Em 24 de setembro a cerveja Guinness celebrará os 250 anos desde que seu fundador, Arthur Guinness, assinou o termo de uso da fábrica Saint James's Gate, em Dublin, dando início às atividades da empresa, que hoje pertence à multinacional de bebidas Diageo.

 

 

 

 
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