Por Fora da Garrafa
Por Maurício Maia

Ao apreciar uma boa cachaça sempre prestamos atenção a todas as características do destilado. Aroma, cor e sabor são os principais pontos que precisamos observar.

Mas devemos procurar olhar além da bebida, além do álcool, do prazer e da técnica. É necessário notar outros aspectos que envolvem a relação que nós, brasileiros, temos com nossa branquinha, detalhes que tornam a experiência mais agradável, nossa bebida mais saborosa e que permanecem na lembrança por toda a vida. Devemos observar o que está por fora da garrafa, seu rótulo, seu nome.

Através dos nomes e rótulos das cachaças podemos recordar de fatos históricos, políticos, de acontecimentos sociais e até esportivos. Cada um deles nos mostrará uma faceta diferente, um fato distinto, uma personalidade única além de todas as informações técnicas e obrigatórias que toda etiqueta deve apresentar.

O nomes e os rótulos são criados por pessoas comuns, que sofrem a influência do meio em que vivem, de seus aspectos sociais, regionais, religiosos ou culturais. Tradições familiares e simplesmente gostos pessoais estão presentes em cada um. Alguns são divertidos, outro conservadores, simplórios, coloridos ou monocromáticos. De temática religiosa, regionalista, muitas vezes familiares que carregam consigo décadas de tradição, cada um deles representa a realidade das pessoas que os produzem e também das que os consomem.

Os produtores sabem, que mesmo que inconscientemente, que a personalidade que eles desejam transmitir para sua cachaça, a reação que o consumidor vai ter ao ver a garrafa na prateleira ou no balcão, será definida na hora do batismo.



Temos hoje no mercado marcas que vão dos títulos de novelas, como Saramandaia (SP), aos nomes de cidades - Pirassununga (SP), Januária (MG) e Cabreúva (SP). As com nomes de animais são inúmeras e vão dos mamíferos - Cavalinho (SP), Oncinha (SP), Pantera (BA) e Tatuzinho (SP) - aos répteis, como Cobrinha (RJ), Jacaré (BA) ou Jararaca (BA).

 

Algumas possuem nomes de personalidades como Pelé (MG) - esta já retirada do mercado após um acordo entre o craque e o produtor, Pixinguinha (RJ) ou Lúcia Veríssimo. Outras tem nomes populares - Benedita (RJ), Lurdinha (SP) e Mercedes (GO), Augusto (SP), Oliveira (ES) e Claudinor (MG). Enfim, os nomes abordam profissões, cidades, sentimentos, serras e vales e até algumas ações, como Atitude (MG), Providência (MG) e Gandaia (RJ).

Várias marcas procuram exaltar as características e qualidades da aguardente - Azuladinha (RJ), Boazinha (MG), Gostosinha (RJ), Douradinha (CE), Magnífica (RJ), Cristalina (MG) e Puríssima (SC). Outras recebem o nomes do estabelecimento produtor, como a Armazém Vieira (SC) ou a Empório Muzambinho (MG). Outras, o nome do produtor, como a famosa Anísio Santiago (MG). Ou da fazenda, como Sapucaia (SP).

Vários são os temas, diversos são os nomes, mas não podemos esquecer daquelas que sempre ficam em nossa memória, consagradas pelo humor popular. Alguns nomes são engraçados, outros são um tanto apelativos, mas a verdade é que todos nós lembramos de algum para citar. Nomes como Amansa Sogra (CE/RJ/MG), Consolo de Corno (BA), Na Bunda (RJ) ou Cura Veado (MG) e Levanta Velho (SP/MG), são sempre lembrados.

Independente do nome que tenha sua cachaça Predileta (MG) - esse também é um deles, o importante é ter sempre uma Branquinha (SP) no balcão - ou será uma Purita (SC)? O gosto é do freguês.



Maurício Maia

Maurício Maia - é publicitário.
Especialista em cachaça, presta serviços
como cachacier para produtores, bares
e restaurantes.

 

 
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