Destaques da Brasil Cachaça 2008
Por Celso Nogueira

Aguardentes consagradas em seus estados ganham destaque nacional na Brasil Cachaça 2008, em São Paulo.

Realizou-se em São Paulo, de 28 a 30 de abril, a Brasil Cachaça 2008. Quem foi não guardou dúvidas sobre a evolução do produto nacional. Marcas de vários estados saíram do ambiente doméstico e conseguiram distribuição ampla. Em muitas cachaças degustadas pode-se confirmar que a diversidade chegou para ficar. Existe muita coisa além das pingas excessivamente amadeiradas com carvalho. Existe muita cachaça boa fora (e dentro) de Minas Gerais, estado que iniciou e ainda lidera o movimento de valorização da cachaça pura de alambique.

Vale lembrar que algumas regras determinam os critérios para a produção da cachaça artesanal: destilação em alambiques, produção anual inferior a duzentos mil litros, não queimar a cana para colheita e não usar aditivos químicos durante a fermentação e armazenamento.

Estados do Nordeste já contam com alguns ícones no mercado nacional. É o caso do Rio Grande do Norte, com Samanaú, Beckerman e Extrema.

A Associação dos Produtores de Cachaça do Rio Grande do Norte estima em cerca de meio milhão de litros anuais a vazão local de aguardente de alambique. Sutis, sem muita madeira, bem envelhecidas e levemente adocicadas, algumas das melhores cachaças do Brasil tornam o estado importante não pelo volume, mas pela qualidade da bebida.

Em Pernambuco, tradicional produtor de cana e de cachaça industrial, as boas pingas escondidas nas fazendas familiares começam a contar com distribuição mais ampla, como ocorreu com a Carvalheira. Daí a presença de um artista do alambique como o sr. Antonio Parente na Brasil Cachaça 2008. Da terra seca do sertão, em Salgueiro, ele destila a cachaça Serrote. Talvez seja a melhor prova de que boa aguardente não precisa nem de envelhecimento.

A branquinha dele revela um toque sutil de cana, sem acidez marcante nem adição de açúcar, capaz de comover os apreciadores com seu equilíbrio quase perfeito. A família de Antonio Parente fazia rapadura em sua fazenda, a partir desta tradição e muita pesquisa ele lançou a Serrote, feita com cana cultivada sem adubos nem agrotóxicos.

Cachaças de tradição nordestina, como Abayra, da Bahia, e diversas marcas relativamente novas da Paraíba também se destacaram. Doze produtores de 19 marcas de cachaças paraibanas estiveram na Brasil Cachaça 2008. O grupo foi formado pelas empresas produtoras das cachaças Alegre, Bandeira Branca, Caruçu, Cigana Branca, Condessa, Jeribita, São Paulo, Serra de Areia, Serra Preta, Sertaneja, Talante, Tambaba, Terra do Sol, Turmalina da Serra, Volupia, Frutta Frosen Volupia e Vitória.

De Minas

Como não podia deixar de ser, cachaças mineiras compareceram em grande estilo à Brasil Cachaça 2008. A Germana mostrou por que continua sendo uma das melhores do País: entra ano, sai ano, e a qualidade se mantém. O mesmo vale para a Vale Verde e Mata Velha. E para outras de menos fama, como a ótima Lendas do Chapadão, da fazenda Santa Fé, em Uberaba, obra do sr. Carlos Assis, outro pequeno produtor entusiasmado que colabora decisivamente no aprimoramento da cachaça nacional, com dois tipos: Prata - armazenada em tonéis de jequitibá rosa por períodos maiores que um ano, tempo adequado para aprimorar aroma e paladar. Ouro - descanso em barris de carvalho europeu por dois anos.

No Rio Grande do Sul segue firme a tendência de produzir cachaças com sabor e aroma de cana menos acentuados. Talvez pela tradição alemã e italiana, os destiladores locais buscam bebidas menos agressivas e marcantes, valorizando a leveza e o sabor suave. Para tanto, experimentam fermentos certificados, abandonando os fermentos naturais de milho e outros grãos. O resultado divide opiniões, mas é uma opção que tem rendido goles interessantes, como as já conhecidas Casa Bucco e Weber Haus. Chegam ao mercado novos títulos, como as curiosas Sant’Antonio e Dona Flor, lançamentos da Union Distillery, que há trinta anos produz malt whisky em Veranópolis com destiladores de cobre pot still, como na Escócia.

A partir da experiência com a produção de whisky a empresa instalou um alambique em Santo Antônio da Patrulha, litoral norte gaúcho, perto das lavouras de cana. As duas cachaças, em versão ouro e prata, são destiladas em alambique pelo processo tradicional. Portanto, uma grande indústria do setor aceita os procedimentos artesanais e contribui para sua consagração, oferecendo uma cachaça honesta.

Na mesma linha das cachaças neutras temos a excelente Harmonie Schnaps. Em alemão, o termo schnaps indica qualquer aperitivo destilado, sendo mais comum seu emprego nas aguardentes de frutas, como pêra, cereja, maçã e damasco. Mas o produtor Leandro Hilgert quis ressaltar a origem germânica, ao utilizar o nome para a cachaça que produz na cidade de Harmonia.

Aos apreciadores de cachaça com charuto as indicações são Harmonie, Lendas e Serrote. Além disso, a Classe A, de Marcelo Ceneviva, que também faz os charutos Angelina, convida os charuteiros e experimentar a nova Classe A Ouro, pois mudou de fornecedor e agora traz de Minas Gerais o conteúdo das garrafas que comercializa em tabacarias e outros locais.

Celso Nogueira   Celso Nogueira - tradutor, editor e redator especializado em alimentos e bebidas, trabalha com marketing de relacionamento em uma multinacional e faz traduções literárias e gastronômicas, além de realizar palestras e conduzir degustações sobre gastronomia, cachaça e charutos. Foi um dos fundadores e atuou como diretor da confraria Cigar Club.

 

 
  Newsletter
Cadastre-se e receba nossas
novidades em seu email.
Nome:
Email:


 
     
  Charutos Personalizados
Comemore o nascimento de seu filho, casamento ou uma conquista de sua empresa com charutos personalizados.



 
     
   Telefones:  (11) 5096-2494 / 5041-1596
  © Copyright Charutos e Bebidas. Todos os direitos reservados.
  Qualquer reprodução deste material deverá ser feita com autorização.