Produtores de cachaça apostam na diversidade
por Celso Nogueira

PartagasNa tentativa de ampliar o mercado de cachaças premium, produtores investem em qualidade e nichos ainda inexplorados para conquistar consumidores.

O melhor exemplo vem da cachaça DJ, que após anos de desenvolvimento de um projeto ambicioso, chega às grandes redes de supermercados. A elegante garrafa fina jateada, com 500 ml, é adequada ao flare, malabarismos realizados pelos bartenders nas baladas. Busca um público sofisticado e moderno, que frequenta casas noturnas e costuma consumir vodca e coquetéis, para os cem mil litros anuais que produz atualmente.

Quem vê o produto e experimenta a bebida surpreende-se com sua qualidade. A cachaça Série Prata (cerca de R$15) é apenas descansada, mas desce bem pura e rende bons drinques. Já a Série Ouro (R$22), adormecida em tonéis de jequitibá rosa, apresenta um tom levemente dourado e um aroma de madeira suave, que a valoriza. Pode ser tomada gelada, pura, ou também usada no preparo de coquetéis.

Um projeto que começa na formação de uma fazenda para terminar em primorosa apresentação e marketing eficaz serve para desfazer a má impressão de marcas que só pensam no marketing, e tentam empurrar aos incautos pingas de segunda a preços premium. Com a DJ ocorre o contrário, o esmero não custa mais caro.

A DJ vem de Minas, da região dos Maias, município de São Gonçado do Pará, da Fazenda do Engenho.

O projeto começou em 2002, quando o grupo DJ adquiriu terras na região e montou uma fazenda modelo que aplica conceitos de gestão tanto na produção da cana e destilação da cachaça quanto no trato com o meio ambiente e condições adequadas de trabalho aos funcionários. Até a sobra da destilação – cabeça e cauda – é utilizada para fazer álcool, combustível que movimenta máquinas e veículos na fazenda. Uma postura trabalhista e ambiental condizente com a preocupação de oferecer uma cachaça tipo exportação, e que deve ajudar a ampliar o mercado para o destilado brasileiro premium. Não faz mal que a garrafa possa ser considerada pouco característica pelos puristas, pois a pura cana que contém serve de contrapeso a eventuais críticas tradicionalistas.

Alguns produtores acreditam em ampliar a distribuição e diversificar suas linhas para atingir um público maior e cada vez mais exigente.

A Carvalheira, conhecida pela Extra Premium, com pronunciado sabor de carvalho, inova na linha das saborizadas, acrescentando extratos de limão, canela e raízes aromáticas à conhecida aguardente de Pernambuco. No mesmo estado, a Serrote do sr. Antonio Parente prefere preservar tradições das cachaças Prata e Ouro que fabrica, concentrando esforços na distribuição. A Serrote já pode ser encontrada em lojas especializadas do Sudeste.

PartagasOutras marcas que chegam principalmente ao mercado paulista são a Magnífica, do Rio de Janeiro, que se destaca pela original cachaça envelhecida em tonéis de ipê, a Lenda do Chapadão, de Uberaba, e até marcas locais como Cachaça do Rei e Fina Flor, do interior.

A premiada Mato Dentro, produzida por Rômulo Cembranelli em São Luiz do Paraitinga, ganhou a companhia da Velha Sabina, resultado do aprimoramento na fermentação do caldo de cana, envelhecida dezoito meses em carvalho antigo. Também a Cachaça da Tulha aperfeiçoa e diversifica produtos, sendo que o desenvolvimento do blend da Cachaça da Tulha Única – 2008 contou com a participação do cachacier Maurício Maia, colaborador do Charutos & Bebidas. “Participei da sua elaboração, e por isso posso dizer que ela ficou realmente excepcional. Equilibrada em madeiras - elas não mascaram as qualidades da cachaça, suave - desce macio, e muito delicada”, afirma Maia.



PartagasOs grandes produtores também resolveram investir no mercado de cachaça, e emplacam bons produtos como a Nega Fulô, da Diageo e a Ypióca 160, composta com malte.

As novidades do mundo da cachaça (Serrote, Mato Dentro, Rei e Lenda) centralizaram as atenções no jantar anual do Cigar Club no Espaço Gattoria, nos Jardins, em São Paulo. Todas elas foram degustadas e consideradas bons

acompanhamentos para charutos, pelos participantes.

Celso Nogueira   Celso Nogueira - Celso Nogueira - Tradutor literário, editor e colunista especializado em alimentos e bebidas, realiza palestras e conduz degustações sobre gastronomia, cachaça e charutos. Foi um dos fundadores e atuou como diretor da confraria Cigar Club.

 

 
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