Einstein e os charutos
por Celso Nogueira

Não só as teses revolucionárias de Albert Einstein eram difíceis de engolir, para seus contemporâneos do século passado. Talvez mais indigestos que a teoria da relatividade fossem os charutos que ele fumava e impingia aos amigos.

Apreciador de charutos e cachimbos de gosto duvidoso, Einstein ainda era um obscuro funcionário público da repartição suíça responsável pelo registro de patentes quando lançou uma série de artigos que mudaram para sempre a física teórica e a existência humana, em 1905. Desde os tempos de estudante, e até a velhice, Einstein baforava sem parar quando se debruçava sobre complexas equações matemáticas. Sua fama como apreciador levou uma empresa holandesa a lançar charutos com seu nome e retrato na anilha.

No entanto, ao contrário de outros famosos do século vinte, como Churchill e Hitchcock, Einstein não costuma aparecer nos inevitáveis e repetitivos artigos sobre personalidades que gostam de charuto, talvez por causa das fotos, que sempre destacaram mais a cabeleira e a língua de fora do que o charuto ou o cachimbo que costumava usar.

Ao publicar as teorias, Einstein imaginava que haveria uma grande comoção. Não aconteceu praticamente nada, seu trabalho foi ignorado, talvez por ele não ser reconhecido no mundo acadêmico. Diplomado pela Politécnica de Zurique, instituição séria de pouco destaque, seus artigos não mereceram inicialmente a atenção dos grandes nomes da ciência do início do século vinte.

Com o desenvolvimento da teoria da relatividade restrita (1905) e da teoria da relatividade geral (1914-1916), Einstein inaugurou uma nova concepção física do mundo, que abalou os alicerces da física clássica, aceitos desde Isaac Newton (1643-1727): os conceitos de espaço e tempo absolutos.

Einstein criou a fórmula E = mc2, na qual "E" é a energia, "m" a massa e "c" é a velocidade da luz. Essas relações entre a massa e a energia, que calculou teoricamente, foram confirmadas por experiências da física atômica. Sua conseqüência espetacular consistiu no desenvolvimento das armas atômicas.

O charuto insuportável

Um dos primeiros físicos a se dar conta da contribuição de Einstein foi Max Planck, teórico prussiano que passou a abordar as teorias nas aulas da universidade de Berlim, e incentivou seu assistente Max von Laue a ir até Berna conhecer Einstein pessoalmente, para discutir com ele a relatividade especial, em 1907.

Em vez de encontrar um sábio filósofo, no escritório de patentes, von Laue deparou-se com um jovem estabanado e passou reto. “Não acreditei que aquele pudesse ser o pai da teoria da relatividade”, disse. Desfeito o mal-entendido, saíram a passear pelas ruas de Berna, onde conversaram sobre física e fumaram um charuto de marca desconhecida, oferecido por um Einstein ansioso por agradar aquele membro importante da comunidade científica.

O charuto era tão bom, mas tão bom que von Laue aproveitou um momento propício, quando cruzavam o Aare, para deixar cair o charuto. “Era tão desagradável que eu o joguei ‘acidentalmente’ no rio”, contou, segundo Walter Isaacson, biógrafo cujo livro Einstein será lançado brevemente pela editora Companhia das Letras.

Einstein morava na época em Berna, num pequeno apartamento, onde embalava com uma das mãos o berço de seu filho Hans Albert enquanto estudava, segurando o livro com a outra. Na boca pendia um de seus charutos de qualidade duvidosa, cuja fumaça se misturava à fumaça que saía do fogão.

Feito chaminé

A inigualável capacidade de percepção para os fenômenos naturais e suas causas, característica da genialidade de Einstein, não alcançava porém a mera combustão de um pouco de tabaco. Pelo que se sabe, ele não distinguia bons e maus charutos, ou sua condição econômica nem lhe permitia sonhar com fumadas requintadas. Mas que ele gostava, isso lá gostava. Tanto que declarou à segunda esposa, Elsa, em carta escrita quando ainda eram apenas primos,  seus planos para o futuro: “Fumar feito uma chaminé, trabalhar feito um burro de carga, comer sem pensar e só sair para passear em companhia de gente realmente agradável.”


     
 

Por Celso Nogueira - tradutor, editor e redator especializado em alimentos e bebidas, trabalha com marketing de relacionamento em uma multinacional e faz traduções literárias e gastronômicas, além de realizar palestras e conduzir degustações sobre gastronomia, cachaça e charutos. Foi um dos fundadores e atuou como diretor da confraria Cigar Club.

 

 

 
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