O primeiro Cohiba a gente nunca esquece
por Celso Nogueira

Surgiu da genialidade marqueteira do socialista Fidel Castro a fórmula para tornar o Cohiba o charuto mais cobiçado do mundo.

O segredo para tornar desejado um produto de luxo é a dificuldade de acesso. Poucos podem ter uma Ferrari, um Romanée Conti. Sabendo ou não disso, Fidel Castro reservava os primeiros Cohibas apenas para presentear ministros e amigos do governo cubano.

Um dos primeiros agraciados foi Ernesto Che Guevara, em 1963, quando o Cohiba Lancero ainda nem tinha nome e era torcido por Eduardo Rivera apenas para Fidel. Segundo a publicação L’Amateur du Cigar, por sugestão de Celia Sánchez, a amiga do peito do chefe, em 1964 Rivera passou a treinar um grupo de torcedores que passaram a fabricar os charutos que levariam o nome Cohiba – também por sugestão de Sánchez. Até hoje, a mística do Lanceros não encontrou rival, embora os panatelas (no caso, um palma larga) tenham saído de moda após o hype yuppie dos anos 1990, e apesar de não ser incomum encontrar exemplares travados como um lápis, pelo menos até 2002.

A qualidade dos Cohibas logo fez com que se tornassem objeto de cobiça dos banqueiros, industriais e outros magnatas capitalistas inimigos de um comunista sentado em cima dos melhores charutos do mundo, graças ao solo, clima e povo cubano. O melhor tabaco nativo da ilha caribenha, tratado durante séculos por uma população que conserva e transmite todos os segredos de sua transformação nos cobiçados puros, parecia fora de alcance dos endinheirados.

O desejo dos aficionados e a ausência do Cohiba do mercado rapidamente o transformaram no charuto mais caro e difícil de conseguir. As raras caixas comercializadas por presenteados ou desviadas a peso de ouro da lendária galera de El Laguito (depois seriam fabricados também em outras unidades) chegavam ao mercado valendo uma fortuna.

Graças à fama – acidental ou astuciosa – dos Cohiba, não tardou para que chegassem ao mercado os primeiros puros da marca, em 1982. Desde então, a escalada não parou mais. Nem o lançamento dos Trinidad, nem as séries especiais limitadas que ganharam destaque a partir o início deste século conseguiram ocupar lugar de destaque na imaginação dos fumantes de charutos. Nada se compara ao Cohiba.

A marca ganhou força. No início foi considerada algo equivocada a série Siglo, de charutos mais suaves que os pioneiros Lanceros e Espléndidos. Apesar ou por causa do padrão menos agressivo, ajudaram a consagrar os Cohiba. Os Siglo, ou Línea 1492, comemoravam os 500 anos do descobrimento da América.

Muitos apreciadores, porém, não os consideram inteiramente dignos da marca mais respeitada entre os charutos cubanos. Para o Guide Havanoscope 2000, na época o Cohiba tornou-se “uma marca estacionária, cujas vitolas se encontram numa paleta aromática muito limitada, de complexidade decepcionante”. Hoje o destaque da série fica com o Siglo VI, seu mais recente lançamento (2002).

Entretanto, a linha Cohiba encontrou na séries especiais uma oportunidade de diversificação que compensou o relativo vacilo dos Siglo. O Cohiba Pirâmides foi o único a merecer duas edições especiais, em 2001 e 2006.

Finalmente, em 2005, surgiu um dos melhores Cohibas de todos os tempos passados, presentes e futuros, o Sublime. Apesar do nome, o charuto derruba o ceticismo de fumantes como o autor desta, sempre com um pé atrás quando se trata de uma insuperável maravilha do momento. Bastaram duas baforadas para que suas sólidas convicções anti-marketing esfumaçassem, virando cinzas cor de sal e pimenta num cinzeiro de pedra-sabão. Tendo como testemunha um mojito de Havana Club e um amigo, autor do presente, o Cohiba Sublime consta entre os cinco melhores charutos já provados pelo signatário deste artigo, um puro digno de rivalizar com Trinidad e com Upmann 2, Bolivar Belicoso Fino, Partagas Shorts e outros clássicos eternos.

O autor ainda aguarda a oportunidade de provar o Maduro 5 – nos formatos Secretos, Magicos e Genios – que já conquistaram o respeito de diversos apreciadores tarimbados.  Já o Behike, em edição restrita a cem umidores com quarenta unidades cada, é praticamente inacessível e portanto de difícil avaliação.

Muito embora valha hoje apenas uma fração do preço que custava na época da semiclandestinidade, o Cohiba segue sendo um dos mais caros do mercado. O Sublime, por exemplo, edição especial de 2004, já um tanto escassa, vale nas tabacarias de São Paulo cerca de duzentos reais. Já é quase metade do salário mínimo do Serra.

Por falar em Serra, há uns dois anos outro tucano, o professor Paulo Renato de Souza, ex-ministro da Educação, ofereceu em seu aconchegante bar de vinhos de São Paulo, a Enoteca Acqua Santa, os Lanceros que ganhara para quem lá estivesse. Graças a um amigo atento – sempre os amigos – o autor desta teve o prazer de fumar um exemplar no vasco, quando lá esteve para bebericar um vinho (que custava menos que o charuto).

Para tantos que não tiveram tanta sorte, resta criar coragem e desembolsar uma centena de reais ou mais para uma unidade, ou algo a partir de mil para botar as mãos numa caixa inteira.

Como todos os artigos de luxo que despertam a cobiça, os Cohibas logo passaram a sofrer a praga das falsificações. Feitas em Cuba, de onde chegam pelas mãos de supostos estudantes de medicina, ou em outros países do Caribe, as contrafações baratas só prestam mesmo para contentar a imaginação. Na prática, vão desde capas de tabaco com recheio de folhas de bananeira até charutos razoavelmente fumáveis, cubanos de terceira linha, refugos de fábrica ou resultado de folhas desviadas e enroladas no fundo do quintal. Jamais proporcionarão prazer sequer comparável aos verdadeiros.

A ânsia de faturar um trocado num país pobre como Cuba levou os trambiqueiros locais a picos de picaretagem criativa. Na época áurea dos Espléndidos circulava em Cuba e chegava ao Brasil o famoso Espléndido Cristal, numa caixa tipo umidor de viagem, com tampa de vidro (daí o nome). Pequeno detalhe: nunca existiu esta apresentação nos Cohibas oficiais.
T rata-se de invenção de falsários que teriam aproveitado vidros e até a madeira retirada de caixões de defunto.  Brrrrrr

Para comprar Cohibas legítimos basta seguir regras básicas ditadas pelo bom senso. Quem não conhece nem costuma adquirir esses puros, deve pesquisar suas características na internet e procurar apenas empresas confiáveis.

Vale lembrar que os Cohibas dominicanos, com anilha diferente – o miolo do O é vermelho – não são falsos, e sim charutos que usam a marca indevidamente, para consumo do mercado norte-americano, por conta das picuinhas entre Cuba e Estados Unidos, que não respeitam os direitos um do outro.

     
 

Por Celso Nogueira - tradutor, editor e redator especializado em alimentos e bebidas, trabalha com marketing de relacionamento em uma multinacional e faz traduções literárias e gastronômicas, além de realizar palestras e conduzir degustações sobre gastronomia, cachaça e charutos. Foi um dos fundadores e atuou como diretor da confraria Cigar Club.

 

 
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