Cognac: um dos melhores companheiros do charuto
por Celso Nogueira



quai d'orsayA ligação entre charutos e brandies tem quase quinhentos anos. Neste período, consagrou-se a noção de que o cognac é um dos melhores acompanhamentos para um bom charuto. Será mesmo?

Aos paulistanos foi dada a chance de aprofundar os conhecimentos sobre o cognac há uns três anos, quando a Remy Martin organizou uma série de degustações de seus destilados, acompanhados ou não por charutos Macanudo, com assessoria de Cesar Adames. Assim eu e outros felizardos pudemos experimentar os top de linha da marca, como o XO e o Extra, ambos de qualidade excepcional. E comprovar que o cognac, quanto melhor for, melhor se harmoniza com charuto. No quinto festival del Habano,  realizado em Cuba em 2003, o epicure sommelier inglês Matthew Wilken apresentou a combinação do Hoyo de Monterrey Epicure No. 2  com o Cognac Chateau Fontpinot XO.  Stephane Moesle, da França, foi de  Cohiba Robusto com Cognac Remy Martin Oporto Extra e Vitaly Lisenko, da Rússia, com Bolivar Coronas Gigantes e Cognac Henessy XO. Batendo na trave, ou seja, com outros brandies, tivemos Christian Amann, da Áustria, com Partagas Lusitania e Bas Armagnac Ducasting 1947, e Juan Carlos Valera, da Espanha, com Montecristo A e o brandy Cardenal Mendoza Carta Real. A propósito, o Brasil foi representado pelo mineiro Ruimar de Olivera, com  H. Upmann Sir Winston  e café adoçado com cana de açúcar. Alguém quer melhor prova de que os brandies em geral e o cognac em particular são amigos do charuto? Os especialistas neste aspecto concordam com os charuteiros em geral. São, sim.

História

quai d'orsayO Cognac, juntamente com o Armagnac, é a mais renomada aguardente de vinho, sendo obtido pela destilação de vinhos brancos de cepas selecionadas (Folle Blanche, Colombard, Ugni Blanc). Como a matéria-prima do Cognac deve ser uma uva fraca e ácida, usava-se, inicialmente, a Folle Blanche, bem ácida e aromática. Depois da dizimação dos vinhedos pela phylloxera, na segunda metade do século XIX, como a Folle Blanche mostrou-se inadaptada à enxertia, foi substituída pela Ugni Blanc, também conhecida por St.-Émilion (em Cognac) e Trebbiano (na Itália).
Os vinhos produzidos com essas uvas são destilados segundo o método charentês (de Charente) num alambique de repasse, com 2 destilações sucessivas. A première chauffe dá o broullis de 27 a 30°, que retorna ao alambique para ser fervido por 12 horas. Isola-se então o álcool do início (tête) e o do fim da destilação (queue), guardando-se apenas a parte do meio (coeur). Como se faz com a cachaça, aliás. Apenas a eau-de-vie, que se chama bonne chauffe, e alcançou de 69 a 72°, envelhecerá na madeira. A extração de cor (até então é um líquido incolor), taninos e sabores é conseguida durante o estágio em barricas de carvalho. Com a evaporação, que ocorre através dos poros da madeira, o oxigênio vai oxidar, maturar e afinar o Cognac. A evaporação é chamada de “parte dos anjos” e causa a perda de 3% do volume e redução de 1% do teor alcoólico por ano. Isso representa uma enorme perda de volume por ano, cerca de 20 milhões de garrafas.

Utiliza-se o carvalho da floresta de Limousin, próxima a Cognac, para a fabricação das barricas, obrigatoriamente. Se não for usado o carvalho desta floresta, não pode usar a denominação de Cognac.
O Maître de Chai faz a seleção dos Cognacs de várias regiões e os mescla. O caráter de cada Cognac obtido será resultado das proporções dessa mistura e do seu envelhecimento. Antes de chegar ao mercado, o Cognac tem seu teor alcoólico reduzido para 40-45% , com a adição de destilados mais fracos da região ou água destilada. É permitida a adição de açúcar e caramelo à bebida.
A legislação que regula a produção do Cognac é severa, existem leis para normatizar a origem, o envelhecimento e as diferentes apelações. A região se limita aos departamentos de Charente-Maritime e Charente, dentro da qual existem 6 zonas de produção ou crus, cada qual limitada por diferenças de terroir. São as seguintes, por ordem decrescente de qualidade:

• Grande Champagne
• Petite Champagne
• Borderies
• Fins Bois
• Bons Bois
• Bois Ordinaires



Apelações de Origem:


• Grand Fine Champagne Cognac - 100% Grande Champagne
• Fine Champagne Cognac - mínimo de 50% Grande Champagne
- máximo de 50% Petite Champagne
• Petite Fine Champagne Cognac - 100% Petite Champagne

Denominações Quanto ao envelhecimento:


• Três Estrelas – Quando seu componente mais novo tem, no mínimo, 30 meses.

• V. O. e V.S.O.P. – Very Old e Very Superior Old Pale – quando contiverem aguardentes cuja idade mínima seja de 4,5 anos.

• Extra, X.O. (Extra Old), Napoléon, Grande Réserve – feitos com aguardentes de, no mínimo, 6,5 anos, até 60 anos.
A idade se refere apenas ao componente mais novo do blend, sendo a média de idade bastante superior ao que se lê no rótulo. Além disso, só se computa o envelhecimento em carvalho, pois não existe evolução do Cognac após o engarrafamento.

Charuto, Cognac e Armagnac
Jomar
Uma garrafa de Armagnac Chateau Laubade XO veio parar em minhas mãos e, como o clima estava muito quente, esperei para abrir a garrafa.

Confesso que fiquei ansioso em degustar esse brandy juntamente com outro de mesma categoria, um Cognac XO seria perfeito, mas tive que me contentar com um Camus VSOP. Armagnac e Cognac são regiões na França que produzem brandy (destilado de vinho) ou eau de vie, como chamam os franceses. Estes são os brandies de maior prestígio, mas sensivelmente diferentes. quai d'orsayCognac situa-se numa área determinada na região de Poitou-Charentes na França, portanto uma indicação de procedência (não possui nenhuma semelhança com as bebidas rotuladas no Brasil com o nome “conhaque”). Armagnac também é uma indicação de procedência da região da Gasconha, ao sudoeste de Cognac, próxima dos Pirineus, que empresta seu nome ao brandy. Cognac e Armagnac são bebidas diferentes em vários aspectos, devido ao terroir, técnicas de destilação e envelhecimento. A grosso modo, o Armagnac costuma ser mais leve e frutado, como o excelente Chateâu Laubade XO que degustamos. Elegância, sutileza e intensidade aromática são características marcantes no Laubade XO, revelando muita fruta seca como ameixas, passas e laranjas, envolvidas por notas florais e amendoadas. Na boca é macio e envolvente, com adstringência mínima. O Camus é mais forte e direto, com aromas de torrefação, nozes e resinas, apresentando um bouquet mais próximo do Uísque. Mais encorpado e adstringente que o Armagnac, provavelmente devido aos taninos menos evoluídos, mesmo assim, redondo e cheio, como convém a um bom Cognac.

A segunda parte da degustação foi acompanhada por charutos. Uma combinação clássica, porém, nem sempre adequada, como comprovamos na harmonização dos puros com o Armagnac.

Os charutos cubanos escolhidos são, indiscutivelmente, de personalidade marcante. Montecristo Edmundo, Partagás Serie D n.º 4 e Hoyo de Monterrey Epicure n.º 2. Com exceção do último, que é mais suave, todos os outros ofuscaram a sutileza do Laubade, mas acompanharam bem o Camus, com ressalvas para o encorpado Montecristo.

É preciso ter em mente que brandies de categoria XO ou superior, principalmente Armagnac, são mais delicados e sutis, podem perder o charme na companhia de puros, mas se for essa a intenção, é melhor escolher charutos suaves, como os baianos e dominicanos.

Prefiro os puros acompanhados por cerveja Stout ou Grappa. Quanto ao Armagnac, além do Chateau Laubade, recomendo o Jeanneau, outro excelente representante desse nobre destilado. Não é muito fácil de achar, mas vale a pena procurar, principalmente agora que sabemos das suas propriedades medicinais.


http://www.qvinho.com.br/bebidas-destiladas
/cognac-armagnac-e-charuto-cubano/




Celso Nogueira   Celso Nogueira - Celso Nogueira - Tradutor literário, editor e colunista especializado em alimentos e bebidas, realiza palestras e conduz degustações sobre gastronomia, cachaça e charutos. Foi um dos fundadores e atuou como diretor da confraria Cigar Club.

 

 

 
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