Cachutos e Charaça - digo,
Charutos e Cachaça...

Por Celso Nogueira

Um segredo guardado por apreciadores conquistou os ambientes exclusivos, até há pouco reservados para a reverência aos importados. Mas, a quem não se importa em pagar um pouco menos, o produto nacional oferece qualidade e requinte.

A cachaça de qualidade e o charuto feito à mão brasileiros compartilham o desejo de brilhar no mercado internacional, e tudo indica que chegarão lá em breve: cresce o interesse por esses dois produtos artesanais entre apreciadores mundiais de bons goles e bons tabacos. E você, está esperando o quê?

A aceitação externa crescente pela dupla charuto e cachaça reflete o esforço feito nos últimos anos pelos produtores, que têm investido em seu aprimoramento. No lugar do preço baixo entrou a qualidade, e hoje é fácil encontrar nas lojas de bebidas daqui cachaças antes acessíveis apenas aos mais queridos amigos do dono do alambique, em geral um diletante como Ivan Zurita, diretor-presidente da Nestlé (mas que acabou pondo no mercado a Cachaça do Barão, de sua fazenda).

A cachaça exportada ainda é, em sua maioria, de marcas básicas, industriais, produzidas em massa, padronizadas, representando apenas 1% da produção nacional. Embora sejam aceitáveis numa caipirinha, essas aguardentes não servem como referência. Aos poucos, porém, mercados como o alemão vão aprendendo a tomar cachaça da boa, de alambique mesmo. Afinal, os alemães gostam tanto de caipirinha que puseram a palavra na edição mais recente do dicionário Duden, referência obrigatória por lá. Virou o caipirinha, mas já serve de começo...

 

 

Novas opções

Para quebrar o quase monopólio exercido durante muito tempo pelas marcas Dona Flor e Alonso Menendez, ambas da Menendez Amerino, surgiram nos últimos anos opções interessantes aos apreciadores de um bom puro baiano. Exemplos são os charutos Caravelas, Angelina e Don Porfirio. Vale lembrar que mais de 90% da produção nacional de tabaco para charuto é exportada em fardos. No exterior, nosso tabaco participa do blend de alguns dos melhores charutos do mundo, que no entanto chegam à Nat Sherman da Quinta Avenida, em Nova York, como dominicanos e hondurenhos. Na Europa, porém, vitrines sofisticadas já exibem há tempos a qualidade dos Dannemann, referência para o alto nível atingido pelo produto nacional acabado.

Para muitos apreciadores duas características definem o charuto brasileiro. A primeira é a originalidade. Nosso terroir garante um tabaco único, distinto de qualquer variedade estrangeira, resultado de séculos de aprimoramento do cultivo e processamento. Por outro lado, a exploração de novas variedades ainda engatinha, e os blends não apresentam a complexidade alcançada quando comparados com misturas de fumos muito distintos entre si. Sendo assim, os charutos menores reforçam as qualidades e atenuam as falhas do tabaco nacional. Robustos, coronas e lonsdales representam melhor nossa produção de puros artesanais, na categoria premium, embora se note nos últimos tempos uma justificada preferência por figurados, provável reflexo de uma tendência global de valorização dos não parejos.


 

Harmonização

Destaca-se na abertura do mercado internacional a Sapucaia, que há mais de trinta anos vem levando principalmente ao Japão e à Alemanha nossa boa cana. Não por acaso ela é produzida em Pindamonhangaba, na região do Vale do Paraíba paulista, ao lado da vizinha Minas Gerais um marco no renascimento da cachaça brasileira. Conceição, Mato Dentro e Angelina vêm do Vale que liga São Paulo ao Rio, sendo a Angelina a primeira desenvolvida especialmente para acompanhar um bom charuto – de preferência, da mesma marca, como recomenda seu criador, Marcelo Ceneviva.

Contudo, o pioneirismo dos mineiros ainda faz com que os melhores goles venham de Minas. Uma degustação às cegas, comandada por Cesar Adames, com participação de especialistas, numa cachaçaria paulistana, apontou a Anísio Santiago e a Vale Verde como as bebidas de maior afinidade com o charuto Alonso Menendez doble corona. A Vale Verde, aliás, já mostrara um bom desempenho na avaliação promovida pela revista Playboy, há poucos anos.

Em geral, na harmonização de charutos e cachaças brasileiros, sendo ambos de força intermediária, procuramos destilados envelhecidos em madeiras como carvalho, umburana, ipê e jequitibá, não muito agressivas. Como Germana (MG), Armazém Vieira (SC) e Casa Bucco (RS), pelo equilíbrio e afinidade com um belo charuto. Qualquer uma delas acompanha um Don Porfirio ou Caravelas com elegância. Já goles marcantes como a pernambucana Carvalheira podem abafar charutos mais leves.

Por outro lado, a dor de cabeça eliminada das boas cachaças pode atacar quem resolver adquirir uma cachaça sem um mínimo de conhecimento. Há dúzias de marcas nas prateleiras, nem todas merecedoras da fama, num fenômeno que repete a diversificação verificada nas opções de vinhos, há alguns anos. Nem mesmo a origem, que seja até Januária e Salinas, referências mineiras demais de boas, garantem uma ótima cachaça. Melhor ficar nas comprovadas, como Paladar, Seleta, Beija Flor e Lua Cheia.

Dada a dificuldade em se escolher uma boa cachaça, não admira que proliferem as degustações, com ou sem charutos. Em convenções de empresas, feiras do setor e outros eventos, organizadores abrem mão da esperada e conhecida degustação de vinhos para atender à expectativa de determinados públicos e oferecer uma surpresa que vem sendo cada vez mais bem-vinda: uma degustação de cachaça.


 

 
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