Partagas   Latakia
O latakia pode ser considerado o tabaco dos extremos: ou você gosta ou você não gosta; não há como ser indiferente ou fazer de conta que sua presença em uma mistura pode passar desapercebida. Dizem alguns que fumar latakia é um gosto adquirido, pois não é possível gostar do mesmo sem ter aprendido.

O nome do tabaco vem da cidade Síria de Al-Ladhiqiyab, situada às margens do Mar Mediterrâneo em frente a parte nordeste da Ilha de Chipre, sendo um dos principais portos da região.

O latakia tem origem na Nicotiana Pérsica, a menor das plantas do gênero Nicotiana, mas deve ser deixado bem claro que nenhuma folha natural de tabaco pode ser chamada de latakia; esse nome só é adquirido após um longo processo de cura e defumação, cuja origem se perde no tempo e por isso é sujeita a ser contada como lenda e ser personagem de muitas histórias .


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O processo de defumação para a produção do latakia parece ter sido descoberto por acaso, quando alguns produtores de tabaco penduraram as folhas excedentes de uma colheita no teto de suas casas, onde ficaram expostas ao calor e à fumaça das fogueiras usadas para aquecimento do ambiente. Dependendo das ervas usadas como combustível das fogueiras, o sabor peculiar do latakia era obtido com mais ou menos intensidade. Exatamente como conta a lenda da descoberta da cura ao fogo pelos nativos norte-americanos.

A parte folclórica e gaiata dessa lenda conta que parte do combustível usado para alimentar as fogueiras  era constituída de excremento seco dos camelos, e que o aroma obtido dependia das ervas ingeridas pelos animais.

A realidade nos dias de hoje é bem menos folclórica e mais prática, com um grande esforço para aumentar a disponibilidade desse tabaco cuja presença caracteriza de forma inequívoca as chamadas misturas inglesas.

O latakia consumido hoje em dia é proveniente de dois locais mais ou menos distantes e que dão origem a tabacos razoavelmente distintos, mas ambos conhecidos como latakia. Esses locais são a região de Latakia na Síria e a Ilha de Chipre, embora uma pequena proporção esteja sendo cultivada na Grécia.



Latakia Sírio

O produto sírio tem sua origem em uma folha de tabaco longa e estreita, conhecida como “shekk-el-bint” ou  “shek-el-bent”. Essas folhas medem de 25 a 30 cm , portanto bem menores que as folhas do tabaco Virgínia por exemplo.

Durante a colheita a planta é cortada e colocada para secar ao sol até que esteja completamente seca, o que leva de 4 a 6 semanas. Neste ponto as folhas e as flores que foram cortadas junto, são levadas para grandes armazéns hermeticamente fechados, onde são penduradas e submetidas a um processo de defumação, com a fumaça originada da queima de uma combinação de ervas e madeiras tais como o carvalho, pinho, cipreste e mirta. O processo que pode levar de 8 a 15 semanas, resulta em um produto escuro, de sabor intenso e picante com um aroma como incenso. Ao término do processo, já denominado latakia, o tabaco de melhor qualidade recebe o grau de “abourhim” ou “abu-rhim” que significa “o rei do sabor”,  seguido  pelo latakia negro e depois o azul.

Seu sabor marcante serve de “condimento” para outros tabacos se usado na proporção adequada; se usado em demasia pode prevalecer sobre todos os outros tabacos da mistura.

Fumado puro o latakia é um tabaco para não ser esquecido, com um aroma intenso, desprezado por muitos, mas relativamente suave ao fumar, sem gosto muito acentuado que permanece na língua ao final. Aos menos acostumados ou mais sensíveis à nicotina, pode mostrar o mundo de cabeça para baixo.

O uso do latakia na Europa começou a se difundir em 1874 quando a Sobranie of London passou a produzir uma mistura condimentada com latakia, no que foi seguida pela Orlik. No início do século XX o latakia era muito usado nos Estados Unidos  por muitos fabricantes de cigarros, para “apimentar” as misturas de tabacos turcos muito em moda na época.



Latakia Cipriota      

O latakia da ilha de Chipre vem de uma semente da variedade Esmirna ou Izmir que produz uma planta de folhas pequenas, ainda menores que as do latakia sírio, alcançando de 15 a 18 cm , com uma cor que vai do amarelo ao marrom.

O tratamento das folhas colhidas é similar ao do produto sírio, originando um tabaco muito escuro, quase negro, com aroma mais profundo. As diferenças em aroma e sabor são, em parte, das diferenças em aroma e sabor das madeiras e ervas usadas na defumação, as quais, embora possam ser as mesmas, são influenciadas pelas diferenças de solo e clima entre a ilha e o continente.

Quando comparado com o produto sírio, o latakia cipriota tem um sabor menos picante e seu paladar amadeirado não é tão definido e menos aguçado. Sendo, não obstante, um latakia, o seu uso descuidado em misturas pode fazer desaparecerem tabacos mais delicados e propiciar aos fumantes a mesma experiência inesquecível, para o bem ou para o mal, de seu semelhante sírio.  

O latakia é um tabaco oriental no sentido mais estrito do termo, não sendo de maneira alguma um tabaco turco. Por sua importância, entretanto, não é agrupado junto com os tabacos orientais.

Devido ao seu processo de produção, o latakia é um tabaco naturalmente aromático sem adição de produtos químicos.

Possui excelentes qualidades de combustibilidade, e sendo um tabaco de  “condimento” usado para realçar o sabor e o aroma de uma mistura, os dois tipos devem ser usados com cuidado, principalmente devido as diferenças existentes entre eles.

Em quantidades de até 5% na mistura, já é possível perceber e desfrutar da presença desses dois tabaco, ao passo que ao redor de 10% começam realmente a se fazer notar com mais força. O latakia cipriota vai mostrando seu caráter forte até cerca de 45%, quando então começa a ser dominante, obscurecendo o sabor de qualquer outro tabaco presente. Algumas poucas misturas tem mais de 45% de latakia cipriota, e são apreciadas por alguns fumantes mais pelo latakia em si que pela delicadeza da mistura.

Da mesma maneira se comporta o latakia sírio, com a diferença que por volta de 35% em uma mistura, já começa a ser o produto dominante. Acima dessa proporção deve-se tomar cuidado com os efeitos já mencionados sobre o fumante...



Castro   Alfredo Maia - engenheiro químico, é autor do livro “Tabacos e Cachimbos”, lançado em dezembro de 2008, e moderador da CAC - Confraria dos Amigos do Cachimbo.

 

 
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