Cachimbando - Leitura para passar o tempo...
Por Castro Valdomiro

Primeiramente, o tabaco obteve uma vantajosa posição sob o pretexto de ser medicinal. Em breve, todavia, começou a ser combatido não só em virtude de ponderações médicas, como também morais.


O fumo tem apreciadores em todos os recantos da terra. Os fumantes não só se comprazem fumando, como também trazem proveito. Quantos há que mantêm suas atividades nas indústrias de fumo! Quantos há que ganham o seu sustento, nas indústrias anexas, no transporte e em numerosos estabelecimentos que exploram o comércio do fumo, sem contar o grande número de agricultores que sobrevivem, graças ao seu cultivo... E o mais aquinhoado, nisso tudo, é o próprio Estado, que arrecada bilhões em impostos e taxas. Diante dessa situação, muito bem sabem avaliar os governos o quanto vale o tabaco! Não se trata, evidentemente, de artigo de primeira necessidade; pode-se muito bem viver sem ele. O apreciador de um bom cigarro, que atenda ao seu paladar, tem, no hábito de fumar, uma verdadeira forma de satisfazer o seu prazer.

Os missionários que acompanharam Colombo, em sua segunda viagem, haviam trazido à Europa notícias acerca dessa planta singular, o fumo, cujas virtudes curativas já eram conhecidas, tendo sido recebida com grande veneração. Sob o ponto de vista terapêutico, até o ministro francês Jean Nicot, acreditado junto à coroa portuguesa,

volveu sua atenção ao tabaco, remetendo sementes da solanácea a Maria de Médicis, rainha de seu país. Dessa maneira, ter-se-ia introduzido a planta nas mais altas rodas, passando a ser denominada planta social ou planta da rainha.

A essas diferentes denominações, o francês Delachamp pôs um fim, em conseqüência de suas dissertações sobre botânica, nas quais, em homenagem a Nicot, deu a essa planta exótica o nome de herba nicotiana. O curioso é que Nicot não descobriu o tabaco, não conhecia a nicotina nem era, tampouco, fumante! O fato é que a sua denominação se conservou.

Entretanto, no homem que, realmente, prestou grandes serviços ao tabaco e a quem se deve a disseminação do cachimbo pelo Velho Mundo, nesse não pensam os fumantes. Esse homem era Sir Walter Raleigh, uma das figuras mais brilhantes da história da Inglaterra. Valente marujo, estratégico, rapidamente chegou ao posto de almirante. No ano de 1584, enviou uma expedição à América Setentrional, fundando-se, aí, em homenagem à rainha virgem, uma colônia com o nome de Virgínia. Os colonos, não suportando por muito tempo a vida colonial, regressaram, após dois anos, a Plymouth. A multidão, apinhada, no porto, ficou impressionada com os estranhos objetos que traziam entre os dentes e dos quais saía fumaça. Eram cachimbos... Um deles foi presenteado a Raleigh, que se manteve, para sempre, fiel a ele. Até a morte, no patíbulo!

Desde o início, constituíram os marujos e soldados os mais fervorosos adeptos do tabaco. A Guerra dos Trinta Anos, por exemplo, ensinou toda a Alemanha a fumar. Em todos os exércitos europeus, passou o cachimbo a pertencer aos equipamentos do soldado. Na França, no reinado de Luiz XIV, era vedada a cultura do tabaco; na Inglaterra, análoga proibição persistiu até 1919.

Primeiramente, o tabaco obteve uma vantajosa posição sob o pretexto de ser medicinal. Em breve, todavia, começou a ser combatido não só em virtude de ponderações médicas, como também morais. Tornara-se o fumo companheiro inseparável da desordem, do vinho e das esferas do livre pensamento! Os catedráticos da Universidade de Leyde (Sul da Holanda) afirmavam a seus estudantes que o vício de fumar deixava o cérebro carbonizado. O clero ortodoxo da Rússia cria que os fumantes daquela erva diabólica aspiravam a mesma fumaça, na qual os pecadores purgariam todas as suas faltas nas fogueiras do inferno!

Hoje, não há jornal nem revista que não estampem em suas páginas advertências sobre os supostos malefícios do fumo. Não se poupam críticas em torno de tão problemático tema, que varou séculos de intermináveis polêmicas e suspeições sobre o seu controvertido uso.

Com efeito, os países desenvolvidos já estão questionando, seriamente, as campanhas

antitabagistas. As estatísticas dão conta de que mais que 1,8 bilhões de pessoas serão, neste ano, afetadas por doenças que poderiam ser prevenidas mediante vacinação; que a malária matará em torno de um milhão de pessoas; ferimentos e envenenamentos estarão na ordem de 630 mil; a tuberculose e sarampo, perto de meio milhão...

Recente divulgação de 67 Ministros de Saúde, a maioria de países desenvolvidos, revela que o fumo, estatisticamente, figura entre as suas menores prioridades. O que mais lhes despertou a atenção foi: controle de doenças transmissíveis, sistemas de controle com gastos em saúde, melhoria da saúde infantil, gerenciamento de pessoal da saúde, imunização de crianças, administração hospitalar, AIDS e tuberculose. Com relação a publicações sobre a prevenção de doenças alcoólicas, psicológicas, orais e de acidentes, o fumo situa-se entre as cinco menores prioridades.

Segundo uma publicação da FAO (Organismo das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), "a pobreza e a desnutrição podem ser alencadas entre maiores riscos de saúde para um enorme contingente de pessoas, notadamente nos países em desenvolvimento, do que o fumo." E alerta que "a fumicultura, nos países em desenvolvimento, pode ser de fundamental importância para o alcance de objetivos a curto e longo prazo", sendo que qualquer movimento, no sentido de reduzir a produção de fumo, "não só seria impraticável, como levaria a um descontrole dos recursos econômicos nos países envolvidos."

O fato de taxar o cigarro a índices que atingem aos 73,55% (1993) sobre o seu valor bruto constitui, indubitavelmente, um sério problema para a fumicultura. Enquanto se locupletam os cofres federais e estaduais, minimizam-se os ganhos de todos os setores da produção e industrialização do fumo!

A origem remota dessa elevada tributação fundamenta-se, evidentemente, em frustradas tentativas de combater o tabagismo, no mundo inteiro. Segundo a história, o uso do fumo, no Brasil, não constituía prazer nem vício para os indígenas. Era uma espécie de formalidade religiosa, para afastar os maus espíritos. Os jesuítas, conseguintemente, identificavam-no com a prática de cultos diabólicos. E os padres chegavam a perseguir aos brancos que nelas se envolviam!

Nos países da Europa, o combate ao uso do fumo era severo, valendo-se, até, de castigos corporais como punição aos fumantes. Na Rússia, o que fosse surpreendido fumando ou cheirando rapé, teria cortado o nariz. Até o Papa Urbano VIII determinou pena de excomunhão aos que, na Igreja, ousassem tomar rapé! A bula, no entanto, foi suspensa, um século depois, por Benedito XIII, que, por ironia, era seu grande apreciador...

Todos os meios foram, porém, insuficientes, para conter a onda do fumo. Os castigos físicos, com o passar dos tempos, transformaram-se em elevados tributos, que ainda vigoram em todo o mundo. Era, portanto, pensamento obstaculizar a difusão do tabagismo, que, se não acabasse com o mal, canalizaria, pelo menos, polpudas verbas para os cofres públicos!

 

 
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