"Cachaças" do mundo inteiro
Por Vivi Palladino e Celso Nogueira

Alguns destilados são ícones de seus respectivos países e conquistaram o mundo, outros são praticamente segredos nacionais.

Uva

Brandy de Jerez (Espanha)
"Brandy" é qualquer bebida destilada a partir da uva. Na Espanha, o mais famoso brandy é destilado a partir do vinho feito com uvas da região de Jerez de la Frontera, no sul do país. Da França saem os brandies mais famosos – Cognac e Armagnac.
  
Grappa (Itália)
Bebida elaborada com as sobras da fermentação do vinho. A receita vem da destilação de bagaço, sementes e cascas de uva. Das nacionais, vale experimentar a humilde graspa (tradicionalmente, no Brasil, usa-se este nome, a reversão ao original grappa é tentativa de glamurizar a bebida) A envelhecida da Casa Valduga, que inclusive preserva o costume de usar belas garrafas para embalar a bebida, vai bem com charutos. Grappas brancas italianas, genéricas ou varietais, são excessivamente aromáticas para combinar automaticamente com charutos. Melhor testar caso a caso, com cuidado.
Nos últimos dez ou quinze anos a grappa cresceu muito como bebida, deixou de ser uma 51 do vinho para se tornar bebida nobre, devido ao esforço de destilação. Como a bagaceira, vem das sobras da produção do vinho, do bagaço da uva, rico em celulose, o que exige destilação cuidadosa, pois a presença forte de celulose aumenta o risco de produção de metanol durante a destilação, quando esta ocorre em temperaturas superiores ao recomendado, segundo o especialista Augusto Silva. Como na cachaça artesanal, as boas grappas preservam apenas o cuore, coração, eliminando a testa (cabeça) e a coda (cauda), durante a destilação.

Áraque (Líbano)
Criado pelos árabes (pioneiros no uso dos alambiques para destilação), o áraque é uma aguardente de uva com anis. Seu teor alcóolico é um dos mais altos: pode chegar a 80%. Parece um pouco com o absinto português, que talvez tenha sido inspirado no áraque ou Arak.

 

Bagaceira (Portugal)
Aguardente destilada a partir do bagaço de uvas – daí seu nome. As melhores garrafas saem da região do Minho, no norte do país, onde também é feito o vinho verde.

Singani (Bolívia)
Destilado da uva moscatel de Alexandria, cultivada em principalmente em Tarija, é a bebida destilada mais popular, embora só seja consumida fora do país pelos bolivianos emigrantes. Em La Paz, onde praticamente não há bares nas calçadas, toma-se o singani de balde em salões imensos do primeiro andar, com bastante gelo e Ginger Ale (servida em garrafas pet de dois litros...) A mais conhecida é a Casa Real.

Pisco (Chile e Peru)
O Pisco é uma das mais antigas bebidas destiladas da América. Em 1630 já era mencionada por cronistas como López de Carabantes: “el valle de Pisco sigue siendo el más abundante de excelentes vinos en todo el Perú. Dáse allí uno que compite con nuestro jerez, el llamado aguardiente de "pisco" por extraerse de la uva más pequeña; es uno de los licores más exquisitos que se bebe en el mundo".
O Pisco, feito com a chamada uva negra, passa de 3 a 4 meses em repouso. Em geral, não é envelhecido. Graduação, 38 a 46. Segundo outros autores, recebe este nome por causa do porto em que era embarcado. Existe também o pisco chileno.



Agave e cana


Cachaça (Brasil)
Durante a colonização portuguesa, a "cagaça" era a espuma retirada da fervura do caldo de cana, dada aos animais. Com o tempo, os escravos descobriram o líquido e o destilaram.

Tequila (México)
Produzida a partir do agave, planta da família do sisal, é uma versão refinada do mezcal – bebida famosa por ser engarrafada com uma larva. Acompanha bem a cerveja e dá origem a vários drinques.

Rum (Caribe)
Cada país caribenho faz seu rum. Na Jamaica, ele é forte e encorpado. Nos países de língua espanhola, como Cuba, o rum é mais leve. A maioria dos runs é feita do melaço de cana e curtida em barris de carvalho.

Guaro (Costa Rica)
Bebida mais consumida na Costa Rica, é muito semelhante ao rum. Geralmente é servida com cerveja, tônica, suco de limão ou água gelada.

Ameixa
Slivovitz (Sérvia)
Destilado de ameixas azuis e envelhecido em barris de carvalho. Muito apreciado nos Bálcãs, onde até 70% das ameixas vai para sua produção.

Tuica (Romênia)
Produzido a partir de várias frutas, mais comumente feito com ameixas. Na tradição romena, nenhuma refeição deve ser iniciada sem uma dose de tuica.

 

Outras frutas

Kirchwasser (Alemanha)
A "água de cerejas pretas" é um tipo de schnapps, nome genérico dado às "cachaças" alemãs produzidas a partir de frutas. Apesar da forte tradição do steinhäger, o kirsch é a bebida do cotidiano dos alemães. Existem ainda schnapps de maçã, pêra, damasco, ameixa ou pêssego.
  
Barack Pálinka (Hungria)
É um destilado de damascos. Em 2004, a Hungria foi um dos países que ganhou direitos exclusivos sobre o nome pálinka, para definir bebidas alcóolicas puras produzidas a partir do bagaço fermentado de frutas, com dupla destilação. Pode ser feita também a partir de ameixa, cereja, pêra e morango.

Raki (Turquia)
É uma variação do áraque. Além da uva, pode ser feito a partir de figos ou ameixas. Servida em dois copos, um com água e gelo até o topo e o outro com o destilado até a metade, deve ser tomado misturando aos poucos. Alguns dizem que o nome correto é iraqi (do Iraque), porque foi produzido pela primeira vez nesse país.

 

Arroz

Vatávia Áraque (Indonésia)
Em Bali, tem o sugestivo apelido de Arak Attack! É um destilado forte, feito com arroz javanês misturado ao melado de cana-de-açúcar, originário da antiga colônia de Batávia (atual Jacarta).

Soju (coréia do sul)
É o segundo destilado mais consumido no mundo. A fórmula atual foi elaborada no século 13, quando era a bebida preferida dos nobres da dinastia Koryo. No Japão, tem o nome de shochu.

 

Outros cereais

Uísque (Escócia)
A origem do nome está no gaélico e significa "água da vida". Os blended, mais vendidos, são misturados com grain whisky (feito de grãos). Os malt whiskies, melhores, levam apenas o malte de cevada.

Vodca (Rússia)
Destilado mais consumido no mundo, feito de trigo e, na Polônia, também de batata. Para os entendidos, vodca boa mesmo é destilada de centeio. O nome é o diminutivo russo de água.

Genebra (Holanda)
É o gim original. Nasceu no século 17 como uma bebida medicinal e segue com a mesma fórmula até hoje. A destilação é mais rápida e rústica que a do gim inglês, o que deixa o sabor dos cereais muito mais presente.

Gim (Inglaterra)
No gim inglês, o álcool é destilado duas vezes, ficando mais puro. Também são adicionadas especiarias, como casca de laranja, raiz de angélica e canela. O London Dry é o tipo mais famoso .

Aquavit (Escandinávia)
A "bebida dos vikings" era misturada a ervas psicotrópicas e dada aos guerreiros. A diferença para a vodca é o uso de ervas como o endro. Do latim, também significa "água da vida".

 

Milho

Bourbon Uísque (EUA)
Sua paternidade é disputada por dois estados: Kentucky, onde foi feito o primeiro bourbon, e Tennessee, sede do Jack Daniel’s.

 

Fonte: http://super.abril.com.br/superarquivo/2006/conteudo_458640.shtml

 

Celso Nogueira   Celso Nogueira - Celso Nogueira - Tradutor literário, editor e colunista especializado em alimentos e bebidas, realiza palestras e conduz degustações sobre gastronomia, cachaça e charutos. Foi um dos fundadores e atuou como diretor da confraria Cigar Club.

 

 

 
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