A cachaça nordestina cristalina
por Maurício Maia

Até recentemente confinadas a engenhos senhoriais, privilégio de uma casta rústica de apreciadores, as cachaças premium do Nordeste estão saindo do armário para conquistar o mercado nacional, assim como a pinga Pitu caiu nas graças dos alemães.


Com o processo de valorização da cachaça iniciado há alguns anos, vários alambiques padronizaram o processo de produção e novas tecnologias começaram a ser desenvolvidas com as escolas agrícolas. Uma nova indústria começou a nascer, calcada em tradição e na qualidade.
Minas Gerais logo se destacou como grande produtor de cachaças artesanais, criou leis e programas de incentivo para os pequenos produtores de aguardente.
No Nordeste ocorreu o mesmo processo com os alambiques que já produziam cachaça de qualidade, algumas verdadeiras obras-primas. Porém essa região, que já abrigou os maiores produtores de açúcar do país, e onde estão localizados dois dos três maiores produtores de aguardente industrial do Brasil, andava um pouco esquecido na cabeça dos apreciadores das regiões Sul e Sudeste. Poucas marcas de qualidade de lá chegam às principais capitais sulistas. A distância é grande e a produção dos alambiques ainda pequena, sendo consumida localmente quase em sua totalidade. No entanto existem alambiques em todos os estados, produzindo a “Moça Branca”, a “Branca” ou “Branquinha”, como a chamaria o mestre Luís da Câmara Cascudo em seu famoso estudo.

Aliás, é em sua terra que iniciamos nossa jornada etílica pelos estados produtores do Nordeste. O Rio Grande do Norte, a terra do sol, faz hoje algumas cachaças que podem – e devem – figurar no ranking das melhores do país. Apesar de nunca ter tido muita tradição na produção de aguardente, seja ela artesanal ou industrial, o estado possui hoje cachaças como a Berckmans de São José do Mipibú, a Mocambo de Goianinha, a Maria Boa e a sensacional Extrema, ambas de Natal. Tendo ainda em outras marcas também produtos de qualidade – Gota Serena, Gabriela, Jardim e Samanaú.
Chegando ao Ceará podemos afirmar que o estado está, juntamente com São Paulo e Pernambuco, entre os maiores produtores de aguardente industrial do país. A a fábrica da Ypióca existe há mais de 160 anos. Além disso o Ceará produz algumas excelentes cachaças artesanais, dentre as quais podemos destacar a Chave de Ouro, destilada no município de Acaripe.

Seguindo nosso caminho até Paraíba, chegamos ao terceiro maior produtor de cachaça artesanal do país – poucas pessoas sabem disso. O estado realiza uma festa em agosto, o Festival Anual da Cachaça e da Rapadura, que acontece no município de Areias. Suas marcas mais notórias são: Volúpia, Cigana, Triunfo, Bandeira Branca, Tambaba e Serra Preta.
O estado do Piauí - assim como Alagoas, Maranhão e Sergipe - não possui uma produção de aguardente comercialmente significativa, sendo que apenas uma marca, a Mangueira detém mais de 50% do mercado local. No Maranhão a cachaça de cana ainda encontra na tiquira, o destilado de mandioca, um concorrente importante. Mas a tradição da tiquira vem se perdendo lá, como ocorreu em grande parte do Brasil.
Ao contrário do Piauí, o estado de Pernambuco é hoje o segundo maior produtor de aguardente industrial do país e o primeiro estado exportador. Tudo isso graças à aguardente Pitú. Mas Pernambuco produz algumas das mais tradicionais cachaças artesanais hoje no mercado, como a Carvalheira. Não à toa Pernambuco foi a terra adotiva do lendário Henry Koster, divulgador da cachaça no Reino Unido, no século XIX, um inglês tão brasileiro que era chamado de Henrique da Costa.
Outras marcas produzidas no estado são: São Saruê, Cachaça da Serra, Souza Leão, Triumpho (isso mesmo, com “ph”) e a Serra Grande, que juntamente com a Carvalheira é uma das poucas cachaças do nordeste facilmente encontrada nos mercados de São Paulo.

Nosso caminho termina na Bahia. Tradicional estado produtor, a terra de Jorge Amado possui algumas marcas de excelente qualidade e padrão “premium”. Marcas como Abaíra, Meladinha, a orgânica Serra das Almas e a Morro de São Paulo, são exemplos do alto padrão alcançados na região. Uma ótima combinação é uma generosa dose de Abaíra Ouro, para acompanhar um bom charuto baiano, como um legítimo robusto de Cruz das Almas.
A cachaça já se mostrou um ótimo acompanhamento para o charuto. Seu alto teor alcoólico possibilita a limpeza da boca antes de cada baforada, tornado mais eficiente a percepção dos sabores do tabaco. Sem falar é claro na combinação das madeiras presentes em ambos. No caso dos charutos, o cedro em que é guardado, e que confere um sabor e um aroma especial ao tabaco.
Independentemente do estado de origem, as cachaças do Nordeste seguem a tradição de produção de uma boa cachaça artesanal, com produtos de qualidade ímpar que não podem faltar no cardápio de qualquer bar ou restaurante, nem em sua casa. E, como parte do renascimento das cachaças premium, marcas antes disponíveis apenas em algumas cidades nordestinas hoje já chegam aos mercados nacionais, levando séculos de tradição canavieira dos goles cristalinos de seus tonéis ao copo dos apreciadores.

Maurício Maia - cachacier, consultor de cachaças e publicitário

 

 

 
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