Cachaça super premium dá prestígio ao produtor
Por Celso Nogueira

Embora ainda não represente parcela significativa do mercado, a cachaça super premium é uma opção definitiva de vários bons produtores. Todos querem ter a próxima Anísio Santiago, ou Havana. Questão de status, principalmente.

A cachaça super premium é artesanal, de alambique, e descansa por muitos anos em tonéis de madeira. Ao contrário de muitas cachaças envelhecidas, que são misturadas com pinga nova (permitido por lei até 50%), a super premium contém apenas aguardentes velhas, algumas com dezenas de anos. O blend equilibra safras e idades, com o objetivo de obter um produto de qualidade, equivalente ao melhor rum ou cognac. Seu preço alto (mais de cem reais) espanta consumidores preconceituosos, mas a qualidade deve promover o reconhecimento dos apreciadores, a longo prazo.

Cachaças premium descansam por muitos anos em tonéis de madeira.

Quem fuma charuto sabe o valor de um destilado de qualidade submetido a longo envelhecimento, e aceita pagar preços mais altos por um bom rum, whisky, tequila, cognac ou uma boa vodca. Muitos charuteiros inclusive já elegeram a cachaça como bebida favorita para acompanhar a degustação de um puro cubano ou baiano.

Vale lembrar que cachaça é a denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica de 38 a 48% em volume a 20 °C e com características sensoriais peculiares, podendo ser adicionada de açúcares até 6 g.L–1. Aguardente de cana e cachaça podem conter até 30 g.L–1 de açúcares, devendo, porém, ter sua denominação acrescida da palavra "adoçada". A aguardente de cana envelhecida deve conter no mínimo 50% de bebida envelhecida em recipiente de madeira apropriado, com capacidade máxima de 700 litros, por um período não inferior a um ano.

A melhor melhorou

Considerada por apreciadores como eu a melhor cachaça do Brasil, a Sapucaia ganhou versão especial. Além da Florida (Cristal e Ouro), da Tradicional ou Velha (envelhecida 5 anos, sumiu do mercado) e da Reserva da Família, até agora a jóia da coroa (dez anos de envelhecimento, cerca de R$50), existe a Sapucaia Real, com produção inicial limitada a mil garrafas. Seu preço está em torno de trezentos reais, segundo Alexandre Bertin, diretor da Momesso & Bertin, produtores atuais da Sapucaia, por eles assim definida:

Rótulo da Sapucaia Real

“Estendida entre as encostas límpidas da Serra da Mantiqueira e da Serra do Mar, no Vale do Paraíba, a fazenda Sapucaia vem produzindo esta magnífica cachaça desde 1933. A partir da colheita das canas especiais ali plantadas, do transporte imediato em carro de boi aos alambiques tradicionais e do envelhecimento em madeiras nobres, tudo obedece ao maior rigor técnico-sanitário.”

A Momesso & Bertin, tradicional produtora das cachaças Scherman, Brazil e Bayu em Pirassununga, desde 1899, comprou a fazenda Sapucaia, em Pindamonhangaba, uma
das últimas grandes propriedades rurais do Vale do Paraíba, e tem planos ambiciosos de expansão.  Além de cachaças pretende investir em aguardentes de outras frutas, sucos e conservas. Já conta com uma bebida destilada a partir do mel, cuja comercialização será ampliada.

Fazenda Sapucaia - Vale do Paraíba

A fazenda Sapucaia pertenceu a Cícero Prado, lendário promotor de iniciativas pioneiras. Por volta de 1933 ele começou a destilar cachaças de qualidade excepcional, voltadas à exportação e a um fiel público regional, capaz de enfrentar a enlameada estradinha que corta o canavial para buscar a cachaça. A Sapucaia tornou-se uma das primeiras a ser exportada para Alemanha, Japão e outros países.

A cana é plantada na própria fazenda, cortada com facão e despalhada manualmente. Para evitar a contaminação pelo diesel, carros de boi retiram a cana colhida e a levam imediatamente para ser esmagada. O caldo fermentado é destilado em cinco alambiques, e a cachaça resultante vai para o envelhecimento em barris de carvalho e amendoim. A Sapucaia Real contém cachaças de idades variáveis, algumas com mais de cinquenta anos, segundo Bertin.

Outras marcas

A Havana ou Anísio Santiago é produzida apenas em uma versão, que custa mais de duzentos reais a garrafa simples de cerveja, com 600 ml. E tornou-se a primeira acima dos cem reais a ser bem vendida. Com o rótulo antigo e o nome Havana pode passar dos quinhentos reais. A Canarinha, do irmão do Anísio, é parecida e custa por volta de setenta pratas.

Hoje diversos fabricantes de cachaças consagradas incluíram em seu portfolio a versão super premium do produto. É o caso da Vale Verde, considerada uma das melhores do Brasil. A versão normal, envelhecida três anos, ficou em primeiro no ranking da Playboy. A especial, em edição limitada, é difícil de encontrar. O mesmo vale para a Germana Heritage, com dez anos em barris de carvalho e bálsamo.

A cachaça do Barão tenta pertencer a este time, mas envelhece apenas três anos, na versão Reserva, e se destaca mais pelo marketing do que pela cachaça. Já a Weber Haus Reserva Lote 48 passa o dobro do tempo em barris de bálsamo e carvalho, e foi lançada para comemorar os 55 anos da família Weber na destilação, no Rio Grande do Sul.

Quem acredita em Sagatiba encontra a Preciosa por quase quinhentos reais, envelhecida durante 23 anos. Pioneira no segmento, a Armazém Vieira , de Florianópolis, tem na versão Ônix sua variedade mais cara. Até a Ypióca, produtora de aguardentes industriais, tem uma versão especial, a 160. A cachaça Leblon, voltada ao mercado externo, é elaborada pelo master blender de Cognac, Gilles Merlet.

Envelhecida na região de Campinas, a Tonel 40 é considerada uma cachaça finíssima, de produção muito baixa – o proprietário, Eduardo Stersi conta com apenas 25 tonéis. A Tonel 40 pode ser considerada uma cachaça premium: "Como a acidez é praticamente zero, tem-se a impressão de ela ser mais suave quando degustada", diz ele.

De todo modo, a diversificação do mercado garante inúmeras opções, para todos os bolsos e gostos. E o lançamento de versões mais sofisticadas ajuda a desfazer a má impressão que alguns ainda têm quando se fala em cachaça.

 

 

 
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