Bolívar agrada a charuteiros experientes
por Celso Nogueira


PartagasSabor marcante, capa marrom inconfundível e potência capaz de derrubar incautos definem os puros da marca Bolívar, xodó dos apreciadores de fumos intensos, encorpados.

O final de um Bolívar Belicosos Finos assusta quem não está acostumado a charutos fortes. Tontura e sonolência são sintomas de níveis inesperadamente altos de nicotina no sangue. Mesmo quem fuma com certa freqüência corre o risco de sair meio mareado de um Bolívar. Mas vale a pena.

Chega um momento na vida do charuteiro em que puros cubanos de alta potência se tornam alvo de interesse e depois cobiça. Na afamada loja de Gérard et Fils, em Genebra, na Suíça, há Bolívares fabricados especialmente para os banqueiros e outros abonados clientes. São quase iguais aos outros, recebem apenas uma atenção maior. Conseqüência: acabamento perfeito, o que supera o único problema do Bolívar, que costuma ser meio tosco. Contudo, fãs como eu não se importam, e até gostam do jeitão rústico do charuto. Minha fama de bolivariano costuma render bons dividendos, pois sempre algum amigo se lembra de mim ao abrir uma caixa.

Mesmo assim estranhei um pouco quando meu compadre, ao voltar da Suíça, mostrou (e deixou fumar) aquele belicoso fino excepcionalmente bem acabado, safrado e conservado nos depósitos dos Gérard até chegar ao ponto ideal. Seu aroma a frio era mais sutil, e na boca as evocações de madeira, couro, café torrado e chocolate surgiram devagar, sem o impacto atordoante da versão disponível ao comum dos mortais. Foi uma experiência única,  que serviu para me mostrar que sim, os melhores charutos do mundo são como certos vinhos, ganham com um período de guarda. E, assim como os vinhos, chegam ao apogeu e começam a perder lentamente suas qualidades. Aos  que temem a belicosidade de um Bolívar recomenda-se exemplares mais antigos e arredondados.

O Bolívar corre em faixa própria. Entre as marcas cubanas é das que menos recebe atenções especiais, como edições limitadas, umidores sofisticados e formatos da moda. São poucas opções, a anilha não muda há anos. Tudo em matéria de Bolívar parece ter parado no tempo. É que eles são simplesmente perfeitos, e até os cubanos, sempre zelosos marqueteiros, sabem que não precisa mexer em time que está ganhando.  O Bolívar é um clássico moderno, do século XX.

História

Quase um século após morte de Simón Bolívar (Santa Marta, 1830), um empresário espanhol que residia em Havana registrou o nome deste ilustre venezuelano, e transformou esta marca de charutos em uma das mais apreciadas, principalmente na Inglaterra. Ainda se desconhecem as razões que levaram José F. Rocha a registrar, em 1927, com o nome de Bolívar uma marca de habanos, mas presume-se que ele sentia uma certa admiração pela figura histórica do Libertador.

Inicialmente os charutos da marca Bolívar eram produzidos na fábrica da rua San Miguel, 961, em La Habana. Em 1944 a Bolívar foi adquirida por Cifuentes, mesmo proprietário da Partagas, e passou a fazer parte do grupo de marcas produzidas na rua Indústria, 520. Hoje diversas unidades  torcem os puros da marca, mas a maioria ainda sai da velha fábrica no centro.

Modelos

Bastam alguns formatos básicos para contentar um bolivariano. E ninguém sente falta dos puros da moda, de cepo 60 e quejandos. Tanto que o mais grosso Bolívar é o Belicoso, com modesto (para o padrão atual) cepo 52.

Os charutos Bolívar podem receber nomes curiosos, como se pode ver a seguir (primeiro o de galera, depois o de marca):

Robusto: Royal Corona – 7 5/8 X 50
Campana: Belicoso Fino – 5 ½ X 52
Francisco: Corona Extra – 5 5/8 X 44
Julieta 2:  Corona Gigante – 7 X 47
Dalia: Inmensa – 6 ¾ X 43
Corona: Tubo No. 1 - 5 5/8 X 42
Mareva: Petit Corona e Tubo No. 2 – 5 1/8 X 42
Minuto: Corona Junior – 4 3/8 X 42
Londres: Bonita – 5 X 40
Cervantes: Gold Medal –  6 ½ X 42
Lacera: Tubo No. 3 – 5 X 34

Descontinuado em 1992, o Gold Medal, um lonsdale, retornou em 2007, agora embrulhado em papel alumínio dourado meio boiola, porém excelente, em caixas com dez unidades, como especialidade nas Casas del Habano. Foi uma das raras investidas marqueteiras no Bolívar.




Simon Bolívar, "o libertador da América"

PartagasSimon Bolívar nasceu no dia 24 de julho de 1783 em Caracas, na Venezuela. De família aristocrata, descendente de espanhóis, ficou órfão aos 9 anos. Ainda jovem visitou diversos países europeus, e foi enviado em 1799 a Madri, na Espanha, para completar sua educação. Aos 18 anos, Bolívar casou-se com Maria Teresa de Toro e, em 1802, o casal foi a Caracas, aonde, após seis meses de matrimônio, a jovem veio a falecer.

 Em 1804, Bolívar retornou à Europa, visitando a França e a Itália. Ele ficou extremamente impressionado com Napoleão Bonaparte, e passou a sonhar com glória semelhante. Quando Bolívar foi a Roma, fez um famoso juramento, no Monte Sacro, de libertar a América do Sul.

Em 1808, Napoleão Bonaparte invadiu a Espanha, depôs a dinastia Bourbon e nomeou seu irmão José como rei espanhol. Todas as colônias espanholas recusaram-se a reconhecer a autoridade de Bonaparte. Algumas continuaram fiéis à família real espanhola, outras decidiram lutar pela independência.

A revolução contra o domínio espanhol teve início na Venezuela, em 1810, com a deposição do governante espanhol. Uma declaração formal de independência foi feita em 1811, e no mesmo ano, Bolívar tornou-se oficial do exército revolucionário. Porém, em 1812, tropas espanholas retomaram o poder na Venezuela. O líder da revolução venezuelana, Francisco Miranda, foi preso e Bolívar deixou o país.
Nos anos seguintes ocorreram diversas guerras. As vitórias venezuelanas eram seguidas por derrotas esmagadoras, mas Bolívar nunca desistiu. Em dezembro de 1819, foi proclamada a República da Colômbia. E, em 1821, Bolívar finalmente libertou a Venezuela na Batalha de Carbobo e um de seus mais talentosos oficiais, Antonio José de Sucre, libertou o Equador na Batalha de Pichincha, em maio de 1822.

PartagasEnquanto isso, o patriota argentino José de San Martin libertava a Argentina e o Chile, e iniciava a libertação do Peru. Bolívar chegou ao Peru em 1823 e prevaleceu sobre o governo real espanhol na Batalha de Junin, em agosto de 1824. Mas foi Sucre que assegurou uma vitória total, ao esmagar as tropas espanholas em Ayacucho, em dezembro de 1824. A guerra pela independência estava vencida.

Após as vitórias militares, Simon Bolívar encontrava-se em uma posição extraordinária. Ele era presidente da Colômbia, ditador do Peru e presidente da recém-formada Bolívia, região que havia sido chamada de Alto Peru nos tempos coloniais. O novo país foi batizado em sua homenagem.

O objetivo seguinte de Simon Bolívar foi se tornar líder e estadista sul-americano. Impressionado com os Estados Unidos da América, Bolívar planejou realizar uma federação das nações da América do Sul. De fato, Venezuela, Colômbia e Equador já constituíam a República da Grande Colômbia, sob a presidência de Bolívar. Mas diferentemente dos Estados Unidos, as tendências de independência nacional no continente não podiam ser ignoradas. Quando Bolívar convocou o Congresso das Nações da América Hispânica, em 1826, apenas quatro países compareceram.

No entanto, ao invés de mais países se unirem à Grande Colômbia, a república começou a se repartir. Para agravar a situação, uma guerra civil irrompeu na Colômbia em 1826. Bolívar tentou evitar a separação definitiva das regiões em conflito. Conseguiu uma reconciliação temporária e convocou uma nova assembléia constituinte em 1828, mas não concordou com as deliberações do corpo legislativo e assumiu poderes ditatoriais. A oposição a Bolívar começou a crescer repentinamente e em 25 de setembro de 1828, ele escapou por pouco de uma tentativa de assassinato.

PartagasBolívar não conseguiu manter a confederação dos países da América do Sul. Por volta de 1830, Venezuela e Equador já haviam deixado a união, e Bolívar, percebendo que suas ambições políticas eram uma ameaça à paz regional, renunciou em abril do mesmo ano. Quando faleceu, em 17 de dezembro de 1830, ele estava deprimido, pobre, e havia sido exilado de seu país de origem, a Venezuela. Ele morreu de tuberculose em Santa Marta, na Colômbia. Sua lenda vive, inclusive no populismo de Chavez, que lidera uma suposta revolução bolivariana na Venezuela.



Celso Nogueira   Celso Nogueira - Celso Nogueira - Tradutor literário, editor e colunista especializado em alimentos e bebidas, realiza palestras e conduz degustações sobre gastronomia, cachaça e charutos. Foi um dos fundadores e atuou como diretor da confraria Cigar Club.

 

 
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