Árabes: libaneses, armênios e sírios trouxeram quibes e esfihas para o Brasil
por Celso Nogueira

Partagas
Não são turcos os árabes, embora ainda haja quem chame assim os descendentes de imigrantes do Oriente Médio que chegaram com passaportes do antigo Império Otomano, portanto passaportes turcos.

São árabes todos os povos que falam a língua árabe, sejam católicos ou muçulmanos. Os que vieram para tentar em novas terras uma vida pacífica, algo difícil no conturbado Oriente Médio, eram e são libaneses e sírios, principalmente. Mas vieram armênios, que não são árabes nem turcos. Todos trouxeram a ênfase na vida familiar e uma cozinha milenar, na qual o trigo apenas triturado ainda compete com a farinha de trigo.

A vocação para o comércio levou os imigrantes a diversos ramos, com destaque para a culinária. União de duas paixões. O trato fácil, a simpatia cultivada pelos descendentes a partir das tradições de hospitalidade e os sabores que logo caíram no gosto popular levaram quibes e esfihas aos pratos brasileiros.

No Sudeste, especialmente na cidade de São Paulo, a influência inicial dos quibes e esfihas logo se ampliou para a vastidão de sabores doces e salgados do Levante, do qual o recente sucesso do kebab é apenas mais uma manifestação, e dificilmente a derradeira. A novidade pode ser experimentada nas diversas quebaberias que abriram recentemente na cidade, como a Kebab Salonu, nos Jardins.

Falafel, charutinhos de folha de uva ou repolho, pastas como homus, babaganuche e coalhada seca, arroz marroquino, aletria, espetos de carneiro e carne moída (kafta), tripas, linguiças, até alguns pratos com peixe chegaram a nossa mesa via pequenas lojas que se transformaram em grandes restaurantes ou preferiram não crescer apesar do sucesso.

As atribulações da conturbada região de origem infelizmente perduram, sendo parcialmente responsáveis por novas levas de imigrantes, embora em números reduzidos, se comparados a seus avós pioneiros. Chegam agora iraquianos, mais libaneses, palestinos e até nigerianos.

PartagasConsequência secundária dessas vindas é a dialética entre tradição e renovação. Uma esfiha adquiriu características próprias em São Paulo: mais massa, mais fofa, mais perto do pão. O quibe ganhou carne e outros recheios, como frango. No geral, os temperos árabes típicos foram reduzidos em número e quantidade, o carneiro perdeu importância e muitos pratos acabaram incorporados à cultura nacional ou multinacional. Na Galeria Paraíso, na Vila Mariana, existe um bar na porta da rua Joaquim Távora, recentemente adquirido por família chinesa, que incorporou acelga ao recheio da esfiha, cuja massa ficou tão arredondada que lembra alguns pães chineses. As mudanças não chegaram ao ponto de incorporar carne de porco às receitas, isso continua sendo tabu.

Neste processo a balança só não desequilibra e pesa para o lado da adaptação por conta dos imigrantes recentes, que chegam com receitas e hábitos intactos. É isso que faz do Al Basha um dos melhores lugares de São Paulo para delícias árabes. O casal de proprietários incorpora as antigas e novas tradições: Jorge chegou do Líbano há poucos anos para trabalhar no restaurante da família, em Pinheiros, o Mama Leila.Ali conheceu Marina, filha da dona Leila. Casaram-se, tiveram um menino inteligente, abriram o Al Basha em 2006 na Vila Mariana (rua Humberto I, 1038. Tel: 5908-1294), perto da ESPM e da Faculdade de Belas Artes.



PartagasAl Basha

Na casa, pequena e despojada, saem esfihas de massa fina, quase de torta. Verdura, carne, frango com requeijão são os sabores. Completam o cardápio um quibe de carneiro raro, falafel de bolas grandes, pastas deliciosas e pratos que variam conforme o dia, além de doces típicos. O homus tem muito mais tahine e menos grão de bico, no babaganouche feito à mão, sem processador, o gosto de queimado toma conta. Uma pasta de pimentão com cominho completa as entradas frias com originalidade. O quibe cru é mais pastoso, os ingredientes praticamente desaparecem.

Tradicionais ou modernos, influenciados pela moda gastronômica ou fiéis às origens, caros ou baratos, há casas árabes para todos os gostos e bolsos. Nos Jardins fica o Arabia, com seu pé direito alto, maitre rabugento, tapetes persas e outros requintes. Felizmente eles nunca esqueceram de fazer uma comida de qualidade num ambiente que, apesar de sofisticado, mantém o aconchego da hospitalidade árabe (o maitre de nariz empinado é uma concessão à moda). O Arabia foi considerado o melhor do gênero pela Vejinha em 2008.

O Gebran é o oposto. Numa das áreas de concentração árabe, reparte com o Raful e o Jacob as preferências dos brimos que trabalham na 25 de março. O amplo salão no primeiro andar oferece pratos à la carte e, como muitos outros, a refeição completa que dificilmente alguém consegue saborear inteira. Lá a gente pode comer um quibe no molho de coalhada quente, iguaria frequente nas residências, mas difícil nos restaurantes.

O Halim, no Paraíso, passou de portinha a salão grande, onde famílias da região, também preferida pelos primeiros imigrantes, sejam do Oriente Médio ou daqui mesmo, se amontoam nos finais de semana para saborear iguarias famosas graças a lugares como o extinto Bambi, nas proximidades.

Em Moema, Higienópolis ou Brás o Maxifour, tradicional empório árabe, tem bons vinhos libaneses, temperos e especiarias. Em Moema a loja inclui lanchonete com salgados diversos, rotisseria e bons sorvetes. Ali é possível adquirir temperos difíceis e conseguir boas dicas para o preparo de uma boa refeição inspirada na cozinha sírio-libanesa. Na mesma linha, o Rosima pertence à família dos proprietários do Empório Sírio, na região da 25 de Março, outro local privilegiado para os ingredientes levantinos.

PartagasLado a lado há décadas, Jaber e Catedral preparam esfihas e quibes suculentos para quem sai do metrô Paraíso ou da catedral ortodoxa, matendo democraticamente à fome paulistana, indiferentes a uma loja de esfihas tipo fast-food do outro lado da rua, pois pertencem a universos diferentes. A padronização dos pratos árabes também resultou numa praga, as redes com temática árabe, nas quais um gênio ou camelo estilizado tenta convencer que o bom negócio é comer mal a preços baixos.

A seguir, uma lista de restaurantes e casas árabes em São Paulo:

Abu-zuz - R. Miller, 622 - Brás. Tel: 3315-9694 
Al Basha – R. Humberto I, 1038. Vila Mariana - Tel: 5908-1294
Almanara – R. Oscar Freire, 523 - Jardim Paulista - Tel.: 3085-6916
Arabesco - R. Dr. Homem de Melo, 494 - Perdizes. Tel: 3872-8164 
Arábia – R. Haddock Lobo, 1.397 - Cerqueira César. Tel: 3061-2203 
Arguile – Al. Santos, 1.187 - Cerqueira César. Tel: 3263-0324 
Baalbeck – Al. Lorena, 1.330 - Jardim Paulista. Tel: 3088-4820 
Brasserie Victoria – Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 545 - Vila Nova Conceição. Tel: 3845-8897 
Café Arábia – Pça. Vilaboim, 73 - Higienópolis. Tel: 3476-2201 
Carlinhos Restaurante (cozinha armênia) – R. Rio Bonito, 1641 - Brás. Tel: 3315-9474 
Casa Garabed (cozinha armênia) – R. José Margarido, 216 - Santana. Tel: 2979-3943 
Casa Líbano – R. Barão de Ladário, 831 - Brás. Tel: 3313-0289 
Catedral – R. Domingos de Morais, 54, Paraíso, Tel: 5579-5122, Metrô Paraíso.
Cedro do Líbano – R. Pamplona, 1701, Jardim Paulista, 3887-3546. R. Vergueiro, 8926, Ipiranga, 2969-6310.
Dona Amira – R. Fernando Falcão, 87 - Mooca. Tel: 2601-2722 
Effendi – R. Dom Antônio de Melo, 77, Luz, 3228-0295, Metrô Luz.
Espaço Árabe – R. Oscar Freire, 168 - Cerqueira César. Tel: 3081-1824  e
3083-4977
Falek Falafel & Kebabs – Al. Nhambiquara, 937 - Moema. Tel: 5052-2285 
Farabbud – Al. dos Anapurus, 1.253 - Indianópolis. Tel: 5054-1648 
Folha de Uva – R. Bela Cintra, 1.435 - Consolação. Tel: 3062-2564 
Gebran – R. Com. Abdo Schahin, 116 – Centro. Tel: 3227-8636 
Halim – R. Doutor Rafael de Barros, 56 – Paraíso – Tel.: 3887-5167
Jaber – R. Domingos de Morais, 86. Alameda dos Nhambiquaras, 818, Moema, 5052-4436. R. Mourato Coelho, 383, Vila Madalena, 3068-9929.
Jacob – R. Florêncio de Abreu, 65 - Centro - Tel: 3229-8689 
Kebab Salonu – R. Augusta, 1.416 - Consolação - Centro. Tel: 3283-0890 
Kibe Kibe & Cia – Av. Sabiá, 476 - Indianópolis. Tel: 5052-6242 
Mama Leila – R. João Moura, 1.167 - Pinheiros. Tel: 3064-3823 
Maxifour Café – Alameda dos Nhambiquaras, 374, Moema, 5052-8475. Alameda Barros, 459-B, Higienópolis, 3663-2868.
Miski – Al. Joaquim Eugênio de Lima, 1.690 - Jardim Paulista. Tel: 3884-3193 
Monte Líbano – R. Cavalheiro Basílio Jafet, 38, 1º andar - Centro. Tel: 3326-3544 
Raful – R. Com. Abdo Schahin, 118 - Centro. Tel: 3229-8406
Rosima – R. Pamplona, 1738, Jardim Paulista, 3887-3165/8657.
Tenda do Nilo – R. Cel. Oscar Porto, 638 - Paraíso. Tel: 3885-0460

Celso Nogueira   Celso Nogueira - Celso Nogueira - Tradutor literário, editor e colunista especializado em alimentos e bebidas, realiza palestras e conduz degustações sobre gastronomia, cachaça e charutos. Foi um dos fundadores e atuou como diretor da confraria Cigar Club.

 

 

 

 
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