A cortina de fumaça e a cortina de ferro
por Celso Nogueira

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Vale pelo inusitado a novela de espionagem Tremor of Intent (Penguin, 1966), do escritor britânico Anthony Burgess, conhecido como autor do clássico A Laranja Mecânica, que depois virou filme.
 

Diversos personagens do livro fumam charutos, e há também comentários sobre os tipos disponíveis na época, referências à inevitável superioridade dos puros cubanos etc. Na trama, um espião prestes a se aposentar tem como derradeira missão tirar um cientista da antiga União Soviética, em plena guerra fria. Este cientista vem a ser um ex-colega de escola que mudou de lado.

Quase todos fumam no decorrer da história. O Handelsgold Brazilian cigar (pag. 38), é descrito como “escuro e aromático” ou “rústico” pelo protagonista Hillier, um espião que,  ao contrário dos 007s da vida, sempre sofisticadíssimos, fuma maquinados...

Trata-se de uma marca de charutos ainda no mercado, fabricados na Alemanha à máquina com tabaco brasileiro, similar ao Henry Winterman, La Paz e Villiger.

Ou seja, charutos “secos”, que se conservam bem fora do umidor. Atualmente a marca Hendelsgold pertence à múlti sueca Swedish Match, dona também de Vasco da Gama e Robert Burns, além dos fósforos Fiat Lux.

O protagonista, Hillier, aprecia charutos e leva na viagem à Rússia diversas caixas e latas de Sumovana, Castaneda, Huifkar Imperiales, estes últimos feitos na Holanda pelos mesmos fabricantes do Balmoral. Mas ele gosta mesmo é dos brasileiros.

Curiosas são as menções a fumadas russas, como o Balkan Sobranie Black Russian,  (pg. 51), na verdade um cigarro de papel preto e filtro dourado, fabricado na Ucrânia. A marca pertence atualmente à fábrica inglesa Gallagher. Alguém oferece um ao espião Hillier, e ele declara: Prefiro fumar charuto.  Quando em perigo extremo, sob a mira da arma do bandido, o herói acha que vai morrer e lembra que ainda tem cinco charutos no bolso. “Que desperdício”, pensa. (pg. 142). Os apreciadores de charutos e literatura não desperdiçarão seu tempo se procurarem e lerem esta novela, que consegue somar entretenimento e literatura de qualidade. Fumaça também é cultura...

 

     
 

Por Celso Nogueira - tradutor, editor e redator especializado em alimentos e bebidas, trabalha com marketing de relacionamento em uma multinacional e faz traduções literárias e gastronômicas, além de realizar palestras e conduzir degustações sobre gastronomia, cachaça e charutos. Foi um dos fundadores e atuou como diretor da confraria Cigar Club.

 
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